Ucrânia: «Todos estamos na mesma barricada», afirma padre ucraniano

Padre Natanael Harasym diz-se “orgulhoso” do povo ucraniano

 

Vive em Lisboa, onde acompanha a comunidade ucraniana e está inserido na paróquia de Nossa Senhora do Amparo, em Benfica. Diz-se “orgulhoso do meu povo, da minha Igreja”, e apreensivo com a situação num país invadido há 15 dias pelas tropas russas.

“Estou cada vez mais orgulhoso do meu povo, da minha Igreja Ucraniana Greco-Católica, de todos os meus amigos, colegas, irmãos em Cristo Jesus… Neste momento, celebram e transmitem [as missas, se houver internet], desde as catacumbas. Rezam como os primeiros cristãos, rezam o Terço, as crianças rezam o Terço, são imagens impressionantes”, declara em entrevista à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

Consciente de uma situação “muito difícil no país”, o padre Natanael dá conta de uma “Igreja na linha da frente da ajuda às populações afetadas”.

“Toda a Igreja ucraniana, toda a Igreja está de joelhos neste momento, não diante do opressor, não diante do invasor, que de maneira tão bárbara está a destruir tudo, tudo… há padres já mortos, os nossos bispos estão todos na lista da morte, isto não é fantasia, não é imaginação, é a realidade que se está a passar agora… Não é um filme de ação, um ‘triller’…”, lamenta.

Lamentando seguir os acontecimentos “há distância”, o sacerdote considera que o seu trabalho “é nas terras de Santa Maria” e deixa o alerta, em jeito de convicção: “Depois da Ucrânia outros países se seguirão”.

“Se a Ucrânia cair, quem é o próximo? E não é só a Polónia e não é só a Alemanha, não é só Berlim… O Hitler de hoje está a vingar-se…”.

O padre Natanael afirma que hoje “a Ucrânia está a ser crucificada diante dos olhos da Europa, aos olhos do mundo inteiro… Há quem só observe. Como as multidões que observavam a crucifixão de Jesus”, sustenta.

Numa altura em que o país se prepara para acolher refugiados, e se multiplicam campanhas de apoio humanitário, o sacerdote agradece a todos.

“É impressionante. Nestes dias, disseram-se aqui nas ruas de Benfica: ‘senhor padre, eu sou ucraniano…’ E aqui, na Igreja de Nossa Senhora do Amparo, dizem também: ‘senhor padre, eu tenho um quarto, eu tenho um quarto com casa de banho privativa, senhor padre, eu tenho um escritório que já não me serve para nada, vou arrumar aquilo, vou prepará-lo… e se for necessário, o senhor padre não hesite em pedir. Eu quero ajudar…’ O povo português tem sido assim porquê? Porque tem coração. A mim só me resta dizer: muito, muito obrigado!”, completa.

Educris|10.03.2022

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