
Igrejas reportam “bombardeamentos constantes, vagas de refugiados” e apelam à oração
O bispo de Odessa, D. Stanislav Shyrokoradiuk bispo latino, dá conta do agravamento da situação no país que permanece sob ataque russso após uma semana de combates.
“Estamos a viver no aqui e agora, e a situação é crítica, mas vamos ficar e pedimos as vossas orações. Ninguém vai abandonar as populações”, anuncia citado pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS9.
Naquele que é o mais importante porto comercial do país, o fim-de-semana foi de constantes bombardeamentos, situação que veio agravar a falta já bem visível de produtos básicos como pão ou combustível. Por toda a Ucrânia surgem relatos do modo como as Igrejas estão a responder a uma situção “totalmente imprevista”.
Magda Kaczmarek, diretora de projectos da Fundação AIS para a Europa de Leste dá conta de uma situação “cada vez mais difícil”.
“Tem havido combates naquela zona de Kiev e foram enviadas imagens que mostram danos nas paredes do seminário, causadas por artilharia e mísseis. As comunidades religiosas tiveram de tomar medidas para se protegerem, têm passado as noites nas caves e desligado as luzes das casas para não mostrarem qualquer sinal de actividade”, explica a responsável.
Na cidade de Lviv, na fronteira com a Polónia, não tem sido palco ainda de grandes episódios de violência, mas tem assistido, no entanto, à chegada de um enorme fluxo de refugiados. A irmã Natália, da ordem greco-católica da Sagrada Família, agradece “a ajuda do mundo” que permite que “a Ucrânia resista, e acreditamos que sobreviverá. Temos ajudado os deslocados, fornecendo ‘bunkers’ de protecção para ataques aéreos, e acolhendo pessoas, especialmente mulheres e crianças. A maioria vai para o estrangeiro, mas aqui eles têm a oportunidade de descansar connosco. E rezamos juntos. Obrigado por tudo”, afirma.
Também D. Sviatoslav Shevchuk, Primaz da Igreja Greco-Católica Ucraniana e Arcebispo de Kiev, enviou uma mensagem aos seus compatriotas para rezarem pelo fim do conflito armado, lembrando as palavras da Virgem de Fátima aos pastorinhos e a necessidade da conversão da Rússia.
Uma mensagem marcada pelo apelo à oração por todos, incluindo os autores da guerra, que classifica como “sangrenta e injusta”, e que está a destruir a Ucrânia e a provocar uma enorme crise humanitária.
“Peço-vos que rezeis não só pela paz na Ucrânia, mas também pelos nossos inimigos, pela sua conversão, pela conversão da Rússia. Como a Virgem de Fátima nos pediu”, afirmou na mensagem divulgada pelo Vatican News.
O prelado lembrou “os horrores da guerra” que todos têm estado a sofrer em solo ucraniano.
“Vimos escolas, creches, cinemas, museus destruídos, e pela manhã um rocket atingiu a zona da maternidade num hospital. Nós perguntamos, mas porquê? Trata-se de mulheres e bebés. Por que se tornaram eles vítimas desta guerra?”
O Arcebispo responde com um apelo à oração, à resistência contra a crueldade e o mal, mesmo que isso tenha um elevado custo, signifique um elevado sacrifício.
“Nós rezamos. Nós resistimos. Somos uma nação que constrói, defende a paz na Ucrânia e em todo o mundo à custa do seu próprio sangue. Rezamos por nossos soldados, rezamos por todos aqueles que hoje apoiam a luta pela paz na Ucrânia.”
A Fundação AIS anunciou já o envio de 1 milhão de euros, em ajuda de emergência, com o objetivo de ajudar os sacerdotes e religiosas que trabalham com refugiados, em orfanatos e em lares para idosos em todo o país.
Imagem: Fundação AIS
Educris|03.03.2022


