Vaticano: «Amar significa deixar o outro livre» afirma o Papa em nova catequese sobre o perdão

Na audiência geral desta quarta-feira, o Papa Leão XIV refletiu sobre o poder transformador do perdão, evocando o gesto de Jesus ao oferecer pão a Judas durante a Última Ceia

Na terceira catequese do ciclo «Jesus Cristo, nossa esperança», inserida no Jubileu 2025, o Papa Leão XIV meditou sobre o momento da traição de Judas, destacando o perdão como a expressão mais radical e luminosa do amor cristão. “Jesus leva até ao extremo o seu amor”, disse o Pontífice diante de milhares de peregrinos reunidos na Sala Paulo VI, no Vaticano, em virtude do muito calor que se faz sentir em Roma.

“O perdão não espera pelo arrependimento, mas oferece-se primeiro, como dom gratuito”, afirmou o Papa, sublinhando que Jesus escolheu amar mesmo diante da rejeição, “não porque ignora o que acontece, mas precisamente porque vê com clareza.”

Citando o Evangelho de João, Leão XIV destacou a profundidade do gesto de Cristo afirmando que este “compreendeu que a liberdade do outro, até quando se perde no mal, ainda pode ser alcançada pela luz de um gesto manso.”

Para o Papa, o episódio mostra que o perdão cristão não é fraqueza, nem esquecimento, mas sim “a capacidade de deixar o outro livre, amando-o até ao fim”.

O Papa alertou para as consequências de não perdoar que levam à interrupção das “relações”, de histórias que se “complicam” por palavras “não ditas” que “permanecem suspensas”, lamentou.

“Perdoar não significa negar o mal, mas impedir que ele gere outro mal”, recordou.

Voltando ao momento em que Judas deixa a sala e “era noite”, Leão XIV assinalou que a luz da esperança já resplandecia.

“A noite ainda estava presente, mas uma luz já começou a brilhar. E resplandece porque Cristo permanece fiel até ao fim”.

Ao concluir a sua reflexão o Papa apelou a um exame interior e à coragem de amar sem garantias de retorno.

“Amar significa deixar o outro livre — até de trair — sem nunca cessar de acreditar que até essa liberdade, ferida e perdida, pode ser erradicada do engano das trevas e restituída à luz do bem.”

“O perdão liberta quem o concede: dissolve o ressentimento, devolve a paz, restitui-nos a nós próprios”, resumiu o Papa, deixando aos fiéis uma mensagem clara: “cada traição, por dolorosa que seja, pode tornar-se espaço de salvação — se for acolhida com um amor maior”, completou.

Imagem: Arquivo Educris

Educris|20.08.2025

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