Vaticano: Papa afirma que nenhum abismo está fora do alcance de Deus

Durante a catequese desta quarta-feira, o Papa Leão XIV meditou sobre o Sábado Santo, afirmando que Cristo desceu até às profundezas da morte para resgatar a humanidade com amor e esperança

O Papa Leão XIV centrou ontem a sua reflexão no tema da descida” de Cristo ao reino dos mortos, conforme o texto presente na Primeira Carta de Pedro (1Pd 3,19).

Integrada no ciclo de catequeses sobre o Jubileu 2025 — Jesus Cristo, Nossa Esperança —, a intervenção do Santo Padre aprofundou o mistério pascal e recusou a ideia de que este momento, “celebrado no Sábado Santo”, é tudo menos um intervalo vazio entre a cruz e a ressurreição, sendo “o tempo em que o Salvador atua silenciosamente na salvação de toda a humanidade”.

“Cristo desce à mansão dos mortos para levar a mensagem da Ressurreição àqueles que estavam nas trevas e na sombra da morte”, afirmou o Papa, recordando que esta não é apenas uma realidade passada, mas algo que toca a existência humana de forma concreta, sobretudo nas situações de dor, solidão, culpa e afastamento de Deus.

Leão XIV explicou que, mais do que um “lugar físico”, a mansão dos mortos simboliza uma condição existencial — o estado de quem perdeu o sentido da vida ou vive imerso no sofrimento e na separação.

“Cristo alcança-nos também neste abismo, atravessando as portas deste reino de trevas”, disse, apontando para a humildade de um Deus que não se detém nem diante do pecado humano, nem da morte.

O pontífice evocou a imagem do Cristo que desce até às profundezas da morte para libertar, um a um, os que ali estavam.

“A morte nunca é a última palavra”, declarou.

Para o Papa Cristo não entra nesses “infernos diários” para julgar ou condenar, mas para libertar, curar e restaurar a dignidade de cada pessoa.

Citando os Padres da Igreja, Leão XIV descreveu de forma tocante o encontro entre Cristo e Adão — imagem simbólica de todos os encontros possíveis entre Deus e o ser humano.

“O Senhor desce onde o homem se escondeu por medo, chama-o pelo nome, pega-lhe na mão, levanta-o e leva-o de novo à luz.”

O Papa concluiu a sua catequese com uma mensagem de esperança. Recordou que nada está fora do alcance da misericórdia divina: nem as noites mais escuras, nem os pecados mais antigos, nem os relacionamentos mais quebrados.

“Para Deus, descer não é uma derrota, mas o cumprimento do seu amor”, disse. E completou: “Se às vezes nos parece que tocamos o fundo, lembremo-nos: este é o lugar a partir do qual Deus é capaz de começar uma nova criação.”

Educris|25.09.2025

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