
Antes de recitar o Ângelus deste domingo, o Papa Leão XIV evocou a esperança cristã na vida eterna e lembrou que “a preocupação de Deus é que ninguém se perca para sempre”.
Em dia de Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, e após o Jubileu do Mundo Educativo, o papa assomou à janela do Palácio Apostólico para sublinhar a ideia de que a morte não tem a última palavra e que cada pessoa “é um mundo inteiro, com dignidade infinita”.
Citando o Evangelho de São João, Leão XIV destacou que Cristo “promete ressuscitar cada um no último dia”, reafirmando o desejo divino de “dar um lugar a todos, onde brilhem na sua unicidade”.
O Papa insistiu na importância da memória cristã, recordando que, sem a memória da vida, morte e ressurreição de Jesus, “cada existência ficaria sujeita ao esquecimento”.
Num dia tradicionalmente de grande afluxo aos cemitérios, o Papa apelou a que estas sejam “um convite à memória e à esperança”, e exortou os fiéis a que evitem ficar presos ao passado ou “ao túmulo do presente”, deixando-se antes conduzir pela voz de Cristo, “que vem do futuro”.
O Santo Padre pediu também a intercessão de Maria, “mulher do Sábado Santo”, para que os cristãos saibam renovar a esperança.
Apelo urgente pela paz no Sudão e na Tanzânia
Após a oração, o Papa manifestou “grande dor” pelas notícias provenientes do Sudão, em particular da cidade de El Fasher, no Darfur do Norte, onde a violência “indiscriminada contra mulheres e crianças” e as dificuldades impostas à ajuda humanitária continuam a causar “sofrimentos inaceitáveis”. Apelou a um cessar-fogo imediato e à abertura de corredores humanitários, solicitando o empenho decidido da comunidade internacional.
O Santo Padre referiu-se também à situação na Tanzânia, onde recentes confrontos após eleições provocaram várias vítimas. O Papa Leão XIV pediu que se evite “qualquer forma de violência” e que prevaleça o caminho do diálogo.
Nas saudações finais aos peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, o Papa mencionou grupos provenientes de vários países — entre os quais o Colégio São Tomás de Lisboa — e anunciou que celebrará esta tarde a Eucaristia no cemitério do Verano, em sufrágio de todos os defuntos, incluindo “os que ninguém recorda”. Sublinhou que, para Deus, “ninguém é esquecido”.


