
Concerto de Reis e Ano Novo
Na Igreja Matriz de Aljustrel, o tempo de Natal prolonga‑se até ao domingo da Epifania do Senhor com o Concerto de Reis e Ano Novo, uma celebração onde a fé e a tradição popular se encontram em forma de canto. Nesta tarde, a comunidade reúne‑se para cantar ao Menino, celebrar os Reis Magos e manter viva a memória das Janeiras, tradição ancestral profundamente enraizada nas aldeias do nosso povo.
Se ao Menino se canta na noite de Natal, na Missa do Galo e no próprio dia de Natal, as Janeiras ecoam normalmente entre 1 e 6 de janeiro, quando grupos vão de porta em porta desejando “boas festas” e um ano novo abençoado. O costume tem raízes remotas: já na Roma antiga, no primeiro dia do ano, as pessoas visitavam‑se e trocavam presentes em honra de Janus, o deus de todos os começos – dos dias, dos meses e dos anos –, vestígio de velhos ritos que o Cristianismo soube acolher e transfigurar à luz de Cristo.
O cantar dos Reis está ligado à Epifania, quando, segundo a tradição, os Magos vindos do Oriente – Gaspar, Baltazar e Belchior – seguiram a estrela até Belém, trazendo ouro, incenso e mirra e adorando o Menino Jesus. A partir do dia 6 de janeiro, o povo canta os Reis para anunciar, de forma festiva, a boa nova do Natal que se prolonga: Deus fez‑Se homem e veio habitar no meio de nós.
No Concerto de Reis e Ano Novo, os grupos corais convidados e o Coro Paroquial sobem ao coro da Matriz para entoar os mais belos cantares alentejanos ao Menino e aos Reis, juntamente com o cante tradicional das Janeiras. A polifonia e o cante alentejano enchem a igreja de vozes e harmonias que, mais do que simples espetáculo, são oração cantada: cada estrofe é um louvor, cada refrão é um desejo sincero de paz, saúde e bênção para o novo ano.
Assim, este concerto não é apenas um momento cultural, mas uma verdadeira celebração comunitária: à volta do presépio e sob o olhar do Santíssimo Salvador, Aljustrel canta a fé que herdou dos antepassados, agradece o ano que passou e coloca o ano novo nas mãos de Deus, pedindo que, como os Magos, também nós saibamos reconhecer a estrela que nos conduz a Jesus.





