
Festa em Honra de Nossa Senhora do Pilar
A Capela de Nossa Senhora do Pilar, situada no lugar de Crasto, na Paróquia de São Salvador de Perosinho, é a capela com mais história da comunidade, pela sua antiguidade e pela proximidade ao Monte Murado e ao antigo Castrus Petrosus. Tradicionalmente é associada a uma data muito recuada, lida por alguns como 1101, embora muitos estudiosos considerem mais provável que a inscrição do púlpito refira 1701, sem excluir sinais de origem anterior.
A festa original celebrava‑se a 15 de agosto, em sintonia com o mistério da Assunção de Nossa Senhora, mas, por ser também o dia da festa de Nossa Senhora da Saúde, no Monte Murado, foi transferida para o domingo a seguir ao 15 de agosto. Há alguns anos, esta festa é assinalada sobretudo com uma Eucaristia solenizada, na qual a comunidade dá graças pela proteção materna de Maria sobre o lugar de Crasto e sobre toda a paróquia.
Esta é, de facto, a capela que guarda mais memória: nas suas pedras ecoam séculos de fé, marcados pela antiga atalaia ou castelo no monte Pedroso/Murado e pela presença dos monges de São Bento, que a tradição liga à história de Pedroso. Fr. Agostinho de Santa Maria descreve esta casa de Nossa Senhora como muito antiga, conhecida como Nossa Senhora do Castelo ou do Castro, sob o título da Assunção.
O interior da capela conserva traços de arquitetura românica, numa só nave com capela‑mor, onde se ergue um retábulo de madeira com bela talha dourada. No nicho central guarda‑se uma antiga imagem de Nossa Senhora em pedra, coroada, com o Menino ao colo, tal como a descreve o cronista: uma escultura de grande perfeição, com resplendores de prata, na qual a Mãe oferece, com ternura, o peito ao Filho. Nos painéis laterais, as figuras de São João Baptista e de Santa Luzia recordam outros caminhos de santidade que brotam deste pequeno santuário.
Ao longo dos séculos, esta mesma imagem foi invocada sob diversos títulos – Nossa Senhora do Castelo, Nossa Senhora da Assunção, Nossa Senhora do Castro ou de Crasto – e, mais recentemente, Nossa Senhora do Pilar, cuja origem exata se perdeu na história, mas que ficou gravada na devoção popular. Seja qual for o título, o coração do povo reconhece aqui a mesma Mãe que, elevada ao Céu, continua a olhar por Perosinho, pelos seus campos e pelas suas famílias.
Nesta capela termina a Via Sacra que começa na igreja paroquial, passando pela Barrosa e pela Costa, caminho que, sobretudo nos sábados da Quaresma, era percorrido em procissão, com o canto das ladainhas de Todos os Santos e um sermão final. Ainda hoje, esse percurso lembra que a vida cristã é um caminhar com Cristo, passo a passo, até ao “Crasto” onde a Mãe nos acolhe e nos aponta a vitória da Ressurreição.
Na Eucaristia da festa, celebrada ao domingo após o 15 de agosto, a comunidade reúne‑se em torno do altar para, com Maria, louvar o Senhor pelas maravilhas realizadas nesta terra. A antiga romaria talvez já não tenha a mesma dimensão exterior, mas, em cada ano, renova‑se o desejo de viver esta capela como lugar de silêncio, de oração e de encontro, onde Nossa Senhora do Pilar continua a sustentar a fé do povo, como coluna firme plantada no coração de Perosinho.


