Santa Joana é um farol que indica o futuro

“Os santos são como faróis”, afirmou o Bispo de Aveiro, que realçou o exemplo de Joana e o direito e dever da presença pública da Igreja.

“Não nos pertence conduzir o povo de Deus para um abrigo bem protegido mas sim acompanhar e conduzir a Igreja de portas abertas para um diálogo com o mundo, para aí anunciar a boa nova da salvação, para lhe abrir o tesouro da aliança e acolhê-lo com alegria”, afirmou D. António Francisco, no dia 12 de Maio, na homilia da missa de Santa Joana Princesa, padroeira da cidade e da diocese de Aveiro.

O Bispo de Aveiro reflectiu sobre os santos e a santidade, mas também sobre a presença dos cristãos e da igreja na cidade, numa festa que une autoridades locais civis e religiosas. “O cristianismo tem direito de cidadania entre nós tanto mais quanto mais e melhor nós o vivamos e saibamos acolher, celebrar e viver o evangelho e levar em nós como tesouro encontrado no campo da vida, da família, do trabalho e da missão a imagem de Cristo que deu a sua vida por nós”, disse.

Comentando a passagem do Livro do Apocalipse que referia as muralhas altas da cidade santa, afirmou que estas “não se destinam a impedir as pessoas de entrar mas permitem que a cidade seja vista de todos os lados. As portas franqueadas nos quatro lugares da cidade são como que um apelo a acolher os homens e mulheres de toda a terra. A Igreja é chamada a ter esta visibilidade e a manifestar esta beleza através da harmonia dos seus templos, do calor humano das suas assembleias, da qualidade das suas liturgias, mas principalmente através da vivência cristã dos seus membros e do testemunho vivo das suas comunidades abrindo as portas da fé ao mundo que nos rodeia. O dinamismo das nossas comunidades e a sua vitalidade espiritual são a mais bela manifestação da beleza da Igreja”.

Recordando-se Santa Joana, nos 521 anos da sua morte, o Bispo de Aveiro afirmou que “para compreender a Igreja, é necessário conhecer os santos, que são o seu fruto mais amadurecido e o seu testemunho mais eloquente”, frisando, porém, que “a santidade não diz respeito apenas à fé. Diz respeito também à cultura de uma terra e à memória e futuro do seu povo. Os santos permitiram que se criassem na sociedade novos modelos culturais, novas respostas aos problemas, novas oportunidades diante dos desafios e novos sentidos dados aos desenvolvimentos da humanidade no caminho da história”.

Antes de traçar um breve esboço da princesa para quem “a fé era razão bastante [para deixar um casamento de Estado] e o desejo de se consagrar a Deus era convicção firme”, D. António referiu ainda que “os santos são como faróis”, pois “indicam às pessoas e às comunidades as possibilidades de que o ser humano dispõe”, e exortou por isso a uma “renovada atenção” para com os santos, nesta época de crise, “desconfiança”, “de desconforto diante do futuro”. As suas vidas com desígnio podem ser descobertas “com interesse”, amadas “com devoção” e seguidas “como exemplo”. “Só podemos alegrar-nos com este despertar de atenção para com os santos, porque eles são de todos e constituem um património da humanidade que sonha e progride para lá de si mesma”, rematou.

300 anos do túmulo actual

Na celebração, foram nomeados novos jovens cavaleiros e aias de Santa Joana, que à tarde integraram a procissão com os demais elementos da Irmandade outras colectividades, entre as quais a nova Confraria dos Ovos Moles. Ainda na celebração da manhã, na Sé de Aveiro, Ana de Campos Cruz, provedora da Irmandade de Santa Joana Princesa, afirmou que os 300 anos da trasladação dos restos mortais da Princesa para o túmulo monumental, hão-de ser comemorados com dignidade em Outubro próximo. Foi no dia 23 de Outubro de 1711 que, após uma procissão “imponentíssima” pelas ruas da vila de Aveiro, presidida por D. António de Vasconcelos, Bispo de Coimbra, os restos mortais da filha de D. Afonso V foram colocados no túmulo desenhado por João Antunes, a expensas de El-Rei D. Pedro II.

Jorge Pires Ferreira

Uma casa que é sinal de gratidão e testemunho para novas vocações

No final da missa do dia 12 de Maio, D. António Francisco benzeu a primeira pedra da Casa Sacerdotal Santa Joana Princesa. Será, como disse, um “santuário de gratidão para os sacerdotes idosos ou doentes e para quantos dedicadamente os acompanharam ao longo da vida”.

O edifício que em breve começará a ser erguido nos terrenos do Seminário de Aveiro, do lado das residências universitárias, será dedicado a Santa Joana Princesa, “não apenas no nome mas também no sonho de uma nobre e necessária missão”. “Confiamos-lhe mais este projecto como diariamente lhe pedimos que interceda pela nossa cidade e diocese e abençoe e proteja todos os aveirenses”, afirmou o Bispo de Aveiro durante a homilia. No final da celebração, insistiu que a Casa não é “uma ousadia”, mas “um dever de gratidão de todos os diocesanos” pelas “vidas de generosidade dadas à Igreja”. A Casa, acolhendo “em dignidade e agradecendo como bênção”, será também um “testemunho para as novas vocações”.

Nove pessoas e instituições homenageadas

Na véspera do feriado municipal, numa sessão realizada no Teatro Aveirense, foram homenageadas pessoas e instituições de Aveiro, bem como os funcionários camarários que completaram 25 ou 35 anos de serviço. No discurso que antecedeu as homenagens, Élio Maia, presidente da Câmara Municipal de Aveiro, afirmou que o passivo camarário diminuiu 55 milhões nos últimos cinco anos – quase ao ritmo de um milhão de euros por mês –, referiu projectos estruturantes como o Parque da Sustentabilidade, que reabilita a zona entre o Alboi e a Rua das Pombas (nas imediações do Bairro de Santiago) e apontou as obras que estão a sofrer as escolas básicas de Verdemilho e São Bernardo, aguardando intervenções as da Vera Cruz e Glória. Afirmou ainda que a “curtíssimo prazo” todas as 14 freguesias do município terão equipamentos sociais e que a pista de remo de Cacia “paulatinamente tem vindo a reunir as condições para poder avançar”. A opção global é tornar o município “atractivo, moderno competitivo, participativo, jovem e solidário”.

O município homenageou nove personalidades e instituições.

* Helena Nazaré, reitora da Universidade de Aveiro entre 2002 e 2010, recebeu a medalha de prata.

* O Conservatório de Música de Aveiro Calouste Gulbenkian, nos seus 50 anos de existência, recebeu a medalha de prata.

* P.e Júlio da Rocha Rodrigues, pároco de Aradas desde 1970, fundador do Centro Comunitário Paroquial, uma importante obra social na área da infância para Aradas e freguesias limítrofes, recebeu a medalha de mérito social.

* Prestes a completar 70 anos, o Sindicato do Comércio recebeu a medalha de mérito cívico.

* Henrique Oliveira, activista de várias associações culturais, promotor do “Aveiro Cultura” na Internet (e antigo professor do Seminário de Aveiro), recebeu a medalha de mérito cultural.

* A empresa Sanindusa – Indústria de Sanitários, SA, exportadora para os cinco continentes, dadora de trabalho a 700 colaboradores, recebeu a medalha de mérito empresarial.

* O grupo Hotéis Afonso V, promotor do turismo em Aveiro, actualmente a expandir as suas actividades para o Brasil, recebeu a medalha de mérito empresarial.

* Hélder Bandarra, escultor e pintor com cinco décadas de carreira, autor da estátua de Santa Joana que está entre a Sé e o Museu de Aveiro, recebeu a medalha de mérito cultural.

* António José Bartolomeu, a título póstumo, foi agraciado com a medalha de mérito cívico. Era o funcionário mais antigo da Câmara Municipal de Aveiro, quando faleceu, em Maio de 2010, estando ligado à imprensa e à rádio, dando com frequência a sua voz e presença a eventos de beneficência.