Testemunho Pedro Miguel Vieira Barros regressou de Angola no final de Maio. Desta vez, esteve neste país africano não como jovem missionário (já várias vezes partilhou as suas vivências nas páginas deste jornal), mas como aluno da Universidade de Aveiro. O jovem de Santa Joana, 21 anos, finalista de Novas Tecnologias da Comunicação, fez em Angola o seu estágio curricular de quatro meses. Tratou-se de uma experiência inédita para um aluno da UA. E muito proveitosa em termos pessoais, como poderá ler neste testemunho de Pedro Barros.
“Fui, permaneci, adaptei-me e vivi estes quatro meses como se estivesse em casa.
O âmbito era diferente de todas as outras experiências missionárias que já havia feito.
Rumar para outra realidade e trabalhar num ambiente social, profissional e cultural diferenciado conduziu-me a um processo de aculturação e inculturação profundo.
Estar em Angola é um estímulo: enfrentam-se bastantes obstáculos e observam-se grandes alegrias. Fui estagiar para a editora Edições Dom Bosco (EDB), que pertence à Congregação Salesiana em Angola. O estágio teve duas vertentes principais: a primeira recai sobre todo o trabalho realizado na editora EDB, desde a formação em páginas web, e na produção de conteúdos para animadores de grupos; a segunda refere-se ao acompanhamento que dei aos alunos do pólo de educação à distância da Universidade Católica de Brasília em Luanda, numa nova realidade de aprendizagem (ambiente virtual de aprendizagem), a qual eles nunca haviam experimentado.
O estágio foi bastante positivo, concretizando-se no aumento do conhecimento profissional dos membros da EDB na área em que trabalham; a manifestação e ansiedade em quererem saber mais e melhor; na adaptação às novas exigências de um bom produto final, em conformidade com as exigências do público-alvo; no sucesso do ensino a distância, pois teve continuidade (ao contrário do que tinha acontecido no ano passado); na agilização dos processos editoriais e gráficos; na produção de conteúdos editoriais e gráficos; e na presença virtual da EDB. Senti o apoio dos meus coordenadores da UA, demonstrando sempre muita atenção e amizade, por considerarem, também, um desafio diferente e de risco.
Neste estágio, pude dar aos outros um pouco daquilo que aprendi, e espero que tenha sido uma mais valia, tal como pareciam demonstrar. No entanto, ainda existe muito para caminhar e aprofundar no futuro. O trabalho que realizei forçou o aprofundamento das minhas relações humanas e sociais, encarando cada dia de trabalho como uma etapa para o meu amadurecimento. Entre outras coisas, tive a oportunidade de participar e secretariar o II Congresso Nacional das Escolas Católicas de Angola. Aqui, vi o esforço que se está a fazer para servir melhor o povo angolano, principalmente todos os que ambicionam uma escola melhor, com valores morais e cristãos.
Na comunidade paroquial (Paróquia de S. Paulo), estive para e com os jovens. Acompanhei alguns grupos juvenis e dei catequese a um grupo de pessoas menos jovens. Este último despertou-me um entusiasmo bem grande, porque a situação invertia-se. Eu, jovem com pouca experiência, podendo desfrutar de muitos “pais” com uma larga experiência. A partilha foi forte.
Para além de tudo isto, ficam as marcas de uma viagem até Lwena, onde vivi intensamente o tempo pascal e onde conheci outros horizontes de Angola. Pude visitar aldeias, comunidades, e viver alguns dos momentos mais intensos de comunhão que já tive com Cristo.
No esforço, as alegrias são as marcas do coração, e do coração saem as forças para servi-Lo.
Pedro Miguel Vieira Barros
