Os santuários são locais de fé, mas também de passeio e convívio. As sugestões desta semana levam-nos aos quatro principais santuários na diocese de Aveiro.
“Quem poderá, Senhor, habitar no teu santuário?”, perguntava o salmista. E respondia: “Aquele que leva uma vida sem mancha” (Sl 15). Talvez essa exigência tão elevada se referisse ao Templo de Jerusalém, que até tinha um espaço, o “Santo dos Santos”, onde apenas o sumo-sacerdote podia entrar uma vez por ano, depois de longas purificações.
Aos santuários actuais, todos podem aceder. Aliás, muitas pessoas fazem da ida aos santuários os momentos mais decisivos da sua fé. E fazem convergir para alguns santuários as suas mais fortes e sinceras devoções.
Os quatros santuários da diocese de Aveiro não são com certeza os mais conhecidos, os mais frequentados, os antigos e famosos do país, embora a alguns deles também peregrinem milhares de pessoas. Mas têm, como todos, elementos distintivos. São lugares sagrados. Nesse espaço, sente-se e vive-se um tempo próprio. Permitem que até eles se construam itinerários com valor de purificação.
No alto da montanha, como no da Senhora do Socorro, à sombra de árvores majestosas, como na Senhora de Vagos, no “lugar bonito” que é Schoenstatt, ou mesmo no meio da povoação de Mogofores (por estar em meio urbano, este santuário é atípico), o ambiente que os santuários proporcionam ajuda o encontro físico com o sagrado.
Memória, presença e profecia
No documento da Santa Sé “Santuário: Memória, presença e profecia do Deus vivo”, diz-se que o santuário tem três dimensões, cada uma relacionada com as dimensões temporais, “numa riqueza de estímulos, que devem ser meditados e feitos frutificar na acção”. A memória relaciona-se com o passado, a presença com presente e a profecia com o futuro.
O santuário é “memória da nossa origem”, porque “recorda a iniciativa de Deus e faz com que o peregrino a acolha com o sentido da admiração, da gratidão e do empenho”. É “lugar da presença divina”, porque testemunha a fidelidade de Deus e a sua acção incessante no meio do seu povo, mediante a Palavra e os Sacramentos”. Finalmente, é profecia porque reenvia à “Pátria Celeste”, “recorda que nem tudo foi realizado”, “que estamos a caminho”, “mostrando a relatividade de tudo aquilo que é penúltimo em relação à última Pátria”. “O santuário faz descobrir Cristo como templo novo da humanidade reconciliada com Deus”.
Locais de encontro com Deus e com as pessoas, locais de peregrinação e de convívio, locais para rezar ou tranquilamente caminhar, os santuários, a começar por estes quatro da Diocese de Aveiro, são espaços a descobrir.
Santuário de Nossa Senhora do Socorro
Localização: Albergaria-a-Velha
Construído em 1855
Principal festa: 15 de Agosto, este ano celebrada no dia 19, com a presença do Bispo de Aveiro
Santuário de Schoensttat
Invocação: Mãe Rainha Vencedora Três Vezes Admirável
Localização: Colónia Agrícola da Gafanha da Nazaré
Principal festa: Peregrinação diocesana no primeiro Domingo de Maio
Declarado Santuário Diocesano
em 21-09-1993
Eucaristias aos sábados e domingos, às 17h.
Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora
Localização: Mogofores, Anadia
Propriedade da Sociedade Salesiana de S. João Bosco
Construído em 1963
Principal festa celebrada a 24 de Maio. Eucaristias aos domingos,
às 10h, 12h e 18h.
Santuário de Santa Maria de Vagos
Localização: Vagos
Principal festa na segunda-feira a seguir ao Pentecostes.
Eucaristias no Santuário no dia 13 de Cada mês, às 8h30 (excepto se coincidir com o domingo). Nos Domingos Agosto celebra-se a Eucaristia às 19h.
Sobre este Santuário, a que acorrem muitas pessoas de Mira e Cantanhede, o pároco de Vagos, Pe Manuel António Carvalhais, publicou no ano 2000 a obra “Santa Maria de Vagos”.
