Revisitar o Sínodo Um número significativo de presbíteros gasta o melhor das suas energias na gestão de Instituições Particulares de Solidariedade Social. Apesar da Caridade ser a expressão mais visível do serviço da Igreja à Humanidade, teremos de nos interrogar se não haverá aqui uma distorção da missão do ministério presbiteral e uma concomitante minimização das capacidades dos diáconos e dos leigos.
Duas afirmações do Sínodo Diocesano podem sugerir-nos trabalho de renovação neste ano apostólico. Por um lado, a libertação dos presbíteros destas tarefas tão absorventes. “Promova a Igreja Diocesana a capacidade dos diáconos e dos leigos na administração dos bens materiais das comunidades, tendo em conta o maior benefício dos mais pobres e carenciados”. Clara a afirmação não apenas da valorização e responsabilização dos diáconos e leigos, como também a prioridade pastoral aos pobres.
Outra será a motivação de leigos cristãos para integrarem instituições que, não sendo da iniciativa da Igreja, podem ser permeadas pelo fermento evangélico. “Integrem os cristãos, dotados de competência qualificada e reconhecida, as organizações vocacionadas para o desenvolvimento e promoção social, na esperança de poderem ser aí um fermento evangélico”. Se é certo que a Igreja é uma força social e tem capacidade de promover e organizar serviços, também é verdade que, muitas vezes, em vez da concorrência resultaria bem melhor a integração competente em iniciativas de cidadãos.
Valeria ainda a pena sugerir que se procurasse a presença na Diocese do testemunho vivo daqueles que “optaram, na vida diária, pela prática dos conselhos evangélicos, no seguimento de Jesus Cristo pobre”, sublinhando o valor interpelativo das suas vidas nos nossos dias. Já andaram por aí as Irmãzinhas de Jesus. Por que se foram? Há gente de Aveiro na Congregação das Missionárias da Caridade (Madre Teresa de Calcutá)… Não haverá, em Aveiro, bolsas de pobreza, doentes terminais sem condições, que justificassem a sua presença? Há alguns quartos para gente sem abrigo… E pessoas em plena dedicação a tais desafortunados?…
Q.S.
