Ponta de Lança Há uma velha tradição monárquica que atravessa todas as repúblicas e chega até nós, numa época que poderíamos porventura compreender como meta-republicana – numa concepção entendida como “para além” da própria república! Isto porque, para superar o governo do mundo, a economia, mãe (fonte) de todas as guerras (desde os tempos clássicos), é necessário educar os cidadãos até para a arte do confronto, da oposição! E o primeiro passo para a educação é gerar a autonomia, a autonomia de pensamento, de discernimento… É o papel todas as unidades escolares (desde a formal às informais, como por exemplo um clube desportivo, uma associação, etc.)… até nas novas oportunidades!
Verifica-se que há uma permanente dependência do soberano, daquele que há-de resolver o confronto por nós; de quem nos subsidia. Ou, pior ainda, a mediocridade de deixar para os outros a obrigação de cada um e, mesmo para desempenhar o principal papel, seja qual for o palco, constatamos que é permanente a necessidade de incentivo, de aplauso, de bónus… como quem vive sem ideias, sem iniciativa, acomodada, talvez apenas dos reflexos condicionados como Pavlov demonstrou com o “melhor amigo do homem”! Fazer o ordinário não é nada de extraordinário! E para as “lutas” do dia-a-dia, para o cumprimento das obrigações mínimas, há o respectivo “soldo” – vencimento do soldado! Que falta de querer, de vontade!
A título ilustrativo, centremo-nos na comparação entre os atletas lusos da selecção de futebol e da selecção de rugby (os “lobos” do mundial que decorre em França)!
Os primeiros são (altamente) profissionais; actuam com displicência; esperam que o público os aplauda para ganhar motivação para superar os obstáculos da contenda; mastigam chiclete enquanto o hino é entoado; circulam com ar sorumbático de iPod ao pescoço; falam com ar pesaroso e sério, como se o futebol fosse uma actividade de velório; ficam feridos quando os espectadores, que pagaram pequenas fortunas para – supostamente – os ver jogar, os apupam dada a miséria que produzem, etc.
Os segundos são amadores; têm profissões de grande responsabilidade social e económica; deixam tudo em campo do princípio ao fim (mesmo a própria pele!), esquecendo que no dia seguinte têm de se apresentar no serviço para ganhar o seu salário; cantam o hino abraçados de uma forma entusiasta e sentida; rompem todas as barreiras para poderem estar junto dos que os apoiam e transmitem os seus feitos fazendo, por exemplo, duplas conferências de imprensa no meio da rua para poderem responder a todas as questões para além da formalidade institucional; têm noção do seu valor e do valor do desporto que praticam; andam alegres e cativam tudo e todos, mesmo no meio de derrotas contundentes, porque sabem que deram tudo o que são! Nada regateiam! Ah! E entre nós, as entradas para os ver jogar são gratuitas!
Em síntese, não é a postura do chiclete e iPod que devolverá ao país os índices de desenvolvimento que teve… para aí até ao Marquês de Pombal! É preciso a atitude dos “lobos”!
Desportivamente… pelo desporto!
