Uma pedrada por semana Mário Nogueira (MN), homem forte da Fenprof e, antes, do sindicato de professores do Centro, ficou preocupado com o êxito das escolas privadas. O seu horizonte normal são os professores com os seus direitos e não os alunos com os deles. Perante os resultados publicados, que realçam o trabalho de muitas escolas privadas, MN fez comentários, legítimos porque não, tirou e verbalizou as suas conclusões e, por fim, deu conselhos e sugestões aos detentores do ensino privado..
Lá foi dizendo que também há escolas privadas que não são boas, que as de bons resultados são as dos grandes meios e alunos seleccionados, que pagam menos aos seus servidores que as do Estado, e que se têm vontade de existir, então que vão para o interior, para as zonas pobres do país e depois se verá a sua qualidade…
As palavras do sindicalista precisavam de muitos comentários, mas fica apenas um. Ir para o país pobre? Mas quem foi que abriu escolas privadas em vilas e aldeias e aí trabalhou, com afã e desprendimento, sem qualquer auxílio, ao longo de décadas, só interrompidos por hordas de militares e civis inconscientes, cegos e a espumar ódio?
Corra ele os distritos de Beja, Évora, Portalegre, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Viseu, Vila Real, Bragança, Viana do Castelo e veja quem, a partir da década de cinquenta, se preocupou em promover a gente pobre deste país. Os seminários foram a escola dos pobres e os colégios diocesanos e outros particulares quem levou a muita gente o ensino, a que só podiam aceder nesses tempos, os filhos dos ricos e de quem vivia nas cidades. Que tiro no pé deu o sindicalista obcecado.
Mário Nogueira sabe isto muito bem. Quem sabe se ele não foi também um dos beneficiados. O ódio e a aversão são sempre veneno que mata quem os produz e traduz.
A. Marcelino
