Ajuda Missionária em Angola Ajudar os que necessitam. Dar carinho aos que não têm. Ensinar os que não têm como aprender. Dar colo a quem não tem carinho. Ser amigo de quem diz não ter amigos. Dar a mão a quem precisa.
São estes alguns dos objectivos que tinha quando realizei esta viagem.
Vi que existe um mundo que necessita de nós. Eu, tu, ele, Nós……….
Existe um mundo diferente do nosso, mas dentro do nosso. Realizei uma experiência missionária, em Angola, durante um mês, (pouco tempo eu sei), o tempo possível. Durante este mês existiu muita coisa que poderia relatar, pois tudo para mim foi novidade. Estive na província de Moxico, mais precisamente em Lwena, onde a minha função foi ensinar um pouco de português a diferentes níveis, e dar alguma formação a jovens animadores, que com o seu espírito de ajuda dão a conhecer aos mais novos tudo o que sabem.
Vou relatar apenas uma das visitas a uma comunidade.
A viagem por nós realizada, a Mulalo, não era feita há já 20 anos por um carro (no nosso caso jipe), pois são muito poucas as pessoas que têm carro, fazendo assim todo o percurso desejado a pé, independentemente da distância a percorrer. O objectivo do nosso pároco missionário era celebrar a eucaristia e levar alguma comida (leite em pó, farinha), sementes, catanas e algum material agrícola de forma a tentar que a população inicie uma produção, “Não dar o peixe, mas sim ensinar a pescar”. Assim no final da distribuição, como é habitual em qualquer viagem por nós realizada, encontrávamo-nos com o jipe bastante sujo de terra juntamente com algumas sementes, e um pouco de farinha. Pegamos num conjunto de ramos para varrer o chão do jipe. Qual não foi o meu espanto quando vi, que mal caíram para a terra “esses restos de comida” diversas crianças desesperadamente, tentavam aproveitar essa pouca farinha, essas poucas sementes………
A necessidade é muita.
Estas emoções são combatidas por outras também muito fortes. A calorosa forma como somos recebidos e desejados por todos os que nos recebem. O sorriso das crianças quando brincamos com elas ou mesmo lhes fazemos uma simples saudação. A forma como elas querem o nosso colo, o nosso carinho. A felicidade destas crianças fica muito aquém da felicidade de algumas outras crianças. Uma simples folha de papel e um lápis na mão de uma destas crianças, já consegue trazer um sorriso.
Existe um conjunto de emoções pelas quais passamos no nosso dia a dia.
É uma experiência única! Não hesite em dar o pouco (ou muito) que tem, pois qualquer ajuda é preciosa.
Pois “O oceano é feito de pequenas gotas de água”
Rita Pinho e Melo
