É necessário investir mais na formação cristã

Na abertura do ano lectivo do Instituto Superior de Ciências Religiosas de Aveiro, o Bispo de Aveiro revelou que o Papa lhe pediu um reforço da formação cristã – campo de missão do ISCRA.

“O ISCRA tem uma imensa missão a cumprir no campo da formação”, afirmou D. António Francisco, na abertura do ano lectivo da escola da Diocese. A sessão decorreu no passado sábado, 17 de Novembro, no Seminário de Aveiro, perante alunos e professores, destacando-se na assembleia Mons. João Gaspar, vigário geral, D. António Marcelino, Bispo emérito, e Filipe Neto Brandão, governador civil.

D. António Francisco revelou aos presentes que, no recente encontro que teve com Bento XVI, este lhe perguntou pela acção da Diocese no campo da formação. O Bispo de Aveiro destacou o trabalho do ISCRA e do CUFC, saindo do encontro com o Papa com um “mandato” para a formação, a qual cons-titui um “desafio permanente”, um “imperativo constante”. “Cumpre-nos dar uma resposta condigna, rápida, suficiente”, afirmou.

Antes do Bispo de Aveiro, falaram na sessão Deolinda Serralheiro, directora do ISCRA, que fez um balanço do ano anterior (ver Números), e Pe Júlio Franclim, que proferiu a oração de sapiência, sobre o tema “Pobres e pobreza na Bíblia”.

Pobres e pobreza na Bíblia

Segundo o biblista, “no primeiro artigo do credo bíblico” está a fé em Deus que “se verga sobre a miséria humana”, com se diz em Ex 3,7: “Eu vi a miséria do meu povo no Egipto”. A libertação do Egipto é o momento fundador da história bíblica. Primeiro aparece a fé em Deus Libertador, só depois vem a fé em Deus Criador, realçou Pe Júlio Franclim.

A atitude de Deus, que reco-nhece o sofrimento do seu povo, é renovada e amplificada em Jesus Cristo. N’Ele, “Deus debruça-se sobre a miséria humana”, afirma o professor, constituindo-se “modelo de actuação para cada ser humano”.

Pe Júlio Franclim viajou pela Bíblia, apontando os principais termos que se usam para falar dos pobres e da pobreza (um deles significa “vergado, encurvado”) e alguns momentos de forte consciência social, como sejam as leis do jubileu (ao fim de sete anos os escravos deviam ser libertados e as terras devolvidas; depois passou a ser ao fim de 49 [7×7]), apesar de raramente serem postas em prática; a pregação profética (“a terra pertence aos que foram libertados”, isto é, a todo o povo, e não a apenas alguns); ou a pregação de Jesus Ben Sirá, que diz que “roubar aos pobres é abominação”, é “homicídio”, porque “o que tira o pão ao pobre é como o que espalha sangue” (Livro do Eclesiático); as curas de Jesus como “realização do Reino de Deus para os pobres”; ou as comunidades primitivas cristãs, que partilhavam bens para que não houvesse pobreza.

Fazendo eco das palavras da oração de sapiência, D. António Francisco diria que “os pobres têm de notar que Aveiro é habitada por cristãos, bons samaritanos, filhos de Deus” que assumem como prioridade o cuidado dos desfavorecidos.

Números do ISCRA

6

alunos da Licenciatura em Ciências Religiosas entregaram a tese de Licenciatura no último ano. 8 alunos fizeram em Setembro o exame complexivo, última etapa antes da redacção da tese. Todos foram aprovados.

7

manuais traduzidos no último ano pelo ISCRA, três de Liturgia e quatro de Pastoral Catequética.

98

número de alunos na Licenciatura em Ciências Religiosas, no presente ano lectivo. Provêm de 17 dioceses e cinco países (ensino presencial e à distância). O ISCRA tem ainda quatro alunos no Curso Básico de Ciências Religiosas, sete que se preparam para o diaconado permanente e 40 no Plano de Formação Sistemática.

99

alunos das escolas arciprestais, que actualmente funcionam em Aveiro, Oliveira do Bairro e Anadia. Colaborando com Secretariado da Catequese da Infância e Adolescência, o ISCRA está a dar um curso de formação bíblica a 140 catequistas.

46

alunos que receberam diplomas na sessão do dia 17 de Novembro, por terem concluído os seus cursos.