Revisitar… o Vaticano II 1 – As observações de hoje situam-se no contexto da chamada de atenção do santo Padre para a necessidade de uma renovação de métodos e estruturas de trabalho das Igrejas de Portugal. E cabem, sem sombra de dúvida, numa perspectiva de fomento e sustentabilidade de mediações de pastoral social.
A primeira reflexão recolho-a do decreto conciliar sobre o Ministério dos Presbíteros (Presbyterorum Ordinis – PO). “Os presbíteros reconheçam e promovam sinceramente a dignidade e a participação própria dos leigos na missão da Igreja” – PO 9.
O Cardeal arcebispo de S. Paulo dizia, recentemente: “os leigos não ajudam a Igreja; eles são Igreja”. Eles são Igreja pela graça baptismal. Essa é a fonte que legitima o direito e o dever de participarem na missão da Igreja. Importa, e mais uma vez, insistir na urgência de enraizar, em clérigos e leigos: nenhum faz favor ao outro, quando se empenha no apostolado. E, quer presbíteros quer bispos, têm de tomar a peito esta obrigação de reconhecer e promover; de modo algum criar obstáculos ou proibir. Podem e devem, com fraterna solicitude, dialogar para discernir a oportunidade e o modo de participação.
No campo da pastoral social aqueles que vivem mais de perto as realidades do trabalho, da família, dos custos da vida, da inserção social…, estão habilitados para darem um preciosos contributo ao que as Comunidades paroquiais possam organizar e Dinamizar.
2 – Essa é a segunda grande questão: reconhecer a competência e experiência dos leigos. “Escutem de bom grado os leigos e examinem fraternalmente as suas aspirações, reconhecendo a sua experiência e competência nos diversos campos da actividade humana”… (…) “Entreguem aos leigos, com confiança, obras de serviço da Igreja, deixando-lhes espaço e liberdade de acção, convidando-os mesmo a realizarem, por sua própria iniciativa, oportunos empreendimentos” – PO 9.
Não terão eles capacidades de gestão, de recursos materiais e humanos, imaginação criativa, para assumirem a direcção de Centros Sociais, Grupos Caritas, Conferências Vicentinas, Grupos de Apoio a Migrantes e Marginais… Se são apaixonados de Jesus Cristo, reconhecerão a originalidade do serviço dos mais pobres, dos excluídos. Não lhes faltarão inspiração e engenho para sugerir e desencadear respostas e soluções.
Aliás, em algumas circunstâncias será vantajoso que as iniciativas sejam de cariz civil, enquadradas pelo saber e empenho de cristãos qualificados. Tal situação poderá proporcionar espaço de acção que uma organização confessional não alcança. “Respeitem também cuidadosamente a justa liberdade que a todos compete na cidade terrestre” – PO 9 – que pode ser esse tal espaço de acção informado por valores do Evangelho.
Q.S.
