A busca da felicidade é o motor real de todas as atitudes humanas. A própria superficialidade, a cultura do efémero, traduzem o desejo insaciado de realização plena, a sofreguidão de consumir aquilo que aparece como o elixir da felicidade.
E tão depressa o que se escolhe nos traga a desilusão, assim procuraremos de imediato o substituto que pareça ser melhor. É que a consciência experimentada de que as metas alcançadas ficam imensamente distantes das ansiedades experimentadas é o drama humano que move a própria história.
Muitas têm sido as propostas, ao longo dos tempos, de horizontes que satisfaçam plenamente este desejo existencial. Há as que têm proposto o horizonte do espaço e do tempo como a única possibilidade de plenitude da pessoa humana e da sociedade.
E, umas após outras, todas têm revelado a sua ambiguidade – expressão clara da sua limitação. Sistemas políticos e sociais, itinerários ideológicos tornados sistemas “religiosos”, mais cedo ou mais tarde acabam por falir.
Por outro lado, há as propostas que, sem desvalorizar os percursos deste mundo, apontam o horizonte da eternidade. As religiões que assim o fazem, não hipotecam a iniciativa e as capacidades da pessoa humana. Sobretudo a proposta evangélica de Jesus Cristo, que oferece o projecto de uma vida em germinação até à transformação radical para a vida plena, para além da história, longe de ser ópio que narcotize o povo, é fonte genuína de dinamismo permanente.
É a esperança cristã! O Reino já está entre nós, porque Jesus Cristo nasceu, assumindo – para a recriar – a natureza humana e tudo o que lhe é inerente. Mas está em sementeira, que germinará e se tornará visível na medida em que a humanidade a acolhe e lhe responde, operando assim essa visibilidade crescente.
E esta esperança responsabiliza, não adormece. A responsabilidade pela dignificação da própria vida, a responsabilidade solidária, tendo como horizonte o crescimento até à estatura de Jesus Cristo de todos e de cada um, seguros de que esse é o caminho de construção de uma crescente harmonia social.
O sobrenatural admitido, desejado, vivido nesta perspectiva, não só não minimiza a pessoa humana, mas, pelo contrário, confere-lhe um estatuto de ser quase divino. E para isso é que aconteceu o Natal: o Verbo eterno de Deus fez-se homem, para nos elevar à participação na vida divina.
Sem este “perder de vista” de satisfação dos nossos anseios, o tédio, a resignação, o eclipse das aspirações humanas, comprometerá o próprio progresso humano, liquidará o crescimento humano, afogará na voragem do desinteresse os sonhos e as manhãs de sol que aquecem o gosto da vida!
