Concorrência cultural é positiva para o Teatro Aveirense, afirma a direcção

A direcção do Teatro Aveirense (TA) vê com bons olhos a recente abertura do Centro Cultural de Ílhavo e o dinamismo de outros pólos culturais próximos, como é o caso do Cine Teatro de Estarreja. Numa sessão de apresentação à imprensa da programação do segundo trimestre de 2008, Ana Figueira, programadora artística, afirmou que “quantos mais espaços culturais houver, melhor”, pois isso “dinamizará a oferta cultural” e permitirá a “formação de novos públicos”. Por seu turno, Maria da Luz Nolasco, directora-geral do TA, considera positivo “saber competir com inteligência e com gestão”. As responsáveis da principal casa de espectáculos de Aveiro prevêem, no entanto, encontrar-se com os programadores dos espaços de Ílhavo e Estarreja, estando agendado um encontro com este último. Na agenda estarão assuntos como a articulação das programações, estando em aberto os procedimentos concretos. É sabido que, por vezes, a vinda de um artista ou espectáculo a uma localidade abre a apetência do público para o receber na noutra. Mas, noutras ocasiões, o efeito é contrário.

Dos números apresentados no encontro com jornalistas, salienta-se que, no primeiro trimestre de 2008, o Teatro Aveirense teve 9.132 espectadores nas suas sessões e uma receita de 79.052 euros, números que ficaram aquém de 2007 (11.003 espectadores e 85.505 euros) e que são claramente insuficientes para a autonomia financeira. Vale ao TA o subsídio da Câmara de Aveiro e a comparticipação da Direcção-Geral de Espectáculos. Segundo Maria da Luz Nolasco, os números do primeiro trimestre não significam uma inversão do crescimento sustentado dos últimos anos, mas são vítimas de uma Páscoa precoce no calendário. Na Semana Maior do cristianismo, não há espectáculos no Aveirense, apesar de, como refere a Rota da Luz, a cidade estar cheia de turistas espanhóis.

Em termos de divulgação, o TA tem “nova política”. Passa a editar uma agenda trimestral (a agenda da cidade “Viver Aveiro”, anunciada com pompa em Junho de 2006, numa parceria entre Câmara, TA e Universidade de Aveiro, revelou-se um fracasso após alguns números) e usa uma “hierarquia de elementos”, que vai dos grandes formatos ao postal, para divulgar os seus espectáculos.

J.P.F.

Programação do Teatro Aveirense

Destaques para o segundo trimestre de 2008

No dia 11 de Abril, a companhia Olga Roriz apresenta “Paraíso”, peça inspirada no musical americano.

No dia 17 de Abril, António Feiro, Bruno Nogueira, Jorge Mourato, José Pedro Gomes e Miguel Guilherme trazem a Aveiro “Os melhores sketches dos Monty Python”.

Segue-se a música de Zeca Afonso interpretada pelos Steel Drumming. A formação interpreta as músicas do cantor de intervenção em steelpans (tambores de metal originalmente oriundos de Trinidad e Tobago).

Nos dias 2, 3 e 4 de Maio, está em cena a ópera “Floresta”, de Eurico Carrapatoso, baseada num conto de Sofia de Mello Breyner Andresen.

No dia 12 seguinte, regressa a música de Zeca Afonso, desta vez pela voz da aveirense Jacinta, “melhor jovem artista de Jazz do continente europeu em 2007”.