Visita ao Centro Paroquial da Borralha Quem entra no edifício principal do Centro Social Paroquial da Borralha (CSPB), em Águeda, e repara no triciclo infantil que se encontra do lado esquerdo, dentro de uma grande esfera de acrílico, pode pensar que se trata de um símbolo das dezenas de crianças que frequentam a instituição. Mas é muito mais do que isso. Sem a criança que andou naquele triciclo, o Centro não existiria. Ou, pelo menos, não existiria onde está implantado, no lugar do Brejo. De facto, o CSPB existe desde 1992 e está actualmente instalado na casa e nos terrenos que foram do casal Lito. O casal, sem filhos, adoptara um menino. Ficando gravemente doente, a criança pediu à mãe adoptiva (o pai entretanto já falecera) que olhasse pelas crianças abandonadas, em especial pelas que não têm mãe nem pai. Esse desejo concretizou-se na doação da casa e da quinta pela D.ª Conceição Lito à Casa do Gaiato, na década de 80 do século passado. Como a obra fundada pelo Padre Américo não aceita doações de imóveis, os bens passaram para as mãos da paróquia, que quis dar-lhe as finalidades sociais previstas desde o início.
Hoje, o CSPB acolhe 105 crianças (35 na creche, 30 no jardim-de-infância e 40 no ATL), mas também 62 idosos, no Centro de Dia e no Centro de Convívio, apoiando mais 11, através do Serviço de Apoio Domiciliário (refeições e cuidados básicos em casa dos utentes), e auxiliando 50 famílias, através do Projecto de Intervenção Comunitária.
“O Centro é uma boa resposta que temos em muitas situações”, afirma P.e José Camões, pároco e presidente da direcção do CSPB. Ainda que “secundado por outros organismos, porque nada se esgota em instituição nenhuma”, o Centro dá “respostas profissionais, com competência e com os valores que defendemos em Igreja”, acrescenta.
Interrogado sobre a relação do Centro Social com a comunidade paroquial em que se insere, P.e José Camões afirma: “Quando para aqui vim, sentia-o como uma entidade à parte, no sentido de não haver uma sensibilidade de «isto é nosso». Hoje sinto que não é tanto assim. Há uma boa relação pastoral. Tem crescido. Por outro lado, o centro colabora com outros grupos, como a Conferência Vicentina. Progressivamente a paróquia vai sentindo que isto é nosso”.
Centro Social atento ao meio circundante
António José Mota Rodrigues, vice-presidente da instituição, reconhece que o Centro “tem auto-nomia própria, mas está atento e tem obrigação de responder às necessidades da comunidade”, seja colaborando com a paróquia, em primeiro lugar, mas também com outras entidades, como é exemplo a colaboração de uma psicóloga do CSPB com a escola do primeiro ciclo do ensino básico da Borralha. Este trabalho é “excelente para a despistagem de casos”, afirma. António Rodrigues sublinha ainda o papel do Centro na resolução de casos “que já não seria de existirem no séc. XXI num concelho que quer ser desenvolvido”. Refere-se a um casal que “há anos e anos vivia na maior miséria, sem água canalizada, nem instalações sanitárias”. O Centro tomou conhecimento, enviou uma técnica, que fez um relatório, e foi possível encontrar uma solução imediata para o caso. Mas fica a interrogação: “Como é que ninguém se apercebeu disto, durante tanto tempo? Viramos a cara para o lado para não tomarmos conhecimento, para não tomarmos providências?”
Certifcação Social
Sobre os projectos para o futuro, o vice-presidente declara que o CSPB pretende certificar todas as respostas sociais (isto é, dos modelos e processos implementados, por exemplo: o modo como se lida com as crianças). A certificação será uma certeza da aposta na qualidade dos serviços prestados. Para tal, o Centro vai submeter-se a uma avaliação externa.
Outro projecto – acrescenta P.e José Camões – passa por “dar mais vida ao pólo mais antigo”, ou seja, a casa inicialmente doada. A instituição pensa criar um serviço de apoio a mães solteiras ou crianças abandonadas. Trata-se, no fundo, de aprofundar o sonho da criança do triciclo.
Datas do Centro Social
1992 – (7 de Julho) Criação do CSPB para dar continuidade ao Projecto dos Grupos Comunitários da Bela Vista, que desenvolvera a sua acção junto de crianças desprotegidas. Era pároco P.e António de Almeida Cruz. O Centro abre com três dezenas de crianças.
2000 – O Centro, que começou por funcionar na vivenda doada, com o crescimento do número de crianças, passa para o novo Centro Pastoral da paróquia, onde abre o Centro de Dia e o Centro de Convívio para idosos.
2007 – (7 de Julho) Inauguração das novas instalações do CSPB, situadas por trás da vivenda do casal Lito, com a presença do Ministro da Solidariedade Social e do Bispo de Aveiro. Neste dia, começa a funcionar o apoio domiciliário (ida a casa de idosos para levar refeições e prestar cuidados básicos)
Principais números
160
Número de utentes que frequenta o Centro, distribuídos pela Creche (35), Jardim-de-Infância (30), ATL (40), Centro de Dia (22) e Centro de Convívio (40). Além destes, o CSPB presta serviço de apoio domiciliário, de Segunda a Domingo, a 12 utentes, que consiste no fornecimento de alimentação, cuidados de higiene pessoal, estética e cabeleireira, bem como apoio psicossocial sempre que necessário e acompanha 50 famílias através do Projecto de Intervenção Comunitária. Este serviço de resposta a problemas das famílias desfavorecidas (dificuldades económicas pontuais, abandono escolar, violência doméstica…) é desenvolvido por uma psicóloga, uma técnica social e duas auxiliares.
32
Número de funcionários. A direcção, presidida pelo P.e José Camões, é voluntaria, destacando-se a acção de António José Mota Rodrigues, vice-presidente. Principalmente na área dos idosos, há apoio esporádico de voluntários.
1,5
Milhões de euros. Custo do pólo inaugurado em 2007. O Estado comparticipou com 22 por cento desta verba. Os restantes 78 por cento estão à responsabilidade da instituição, que se encontra a pagar um empréstimo contraído.
