Colaboração dos Leitores Ainda parece incrível que nos estabelecimentos de restauração finalmente se consiga sentir os aromas gastronómicos, como sempre deveria ter sido… Parece ainda surreal percorrer as ruas e ver todos os ex-poluidores agora à porta de pastelarias, lojas, repartições… Toda esta notável diferença ainda parece um luxo e, no entanto, é triste que o direito básico ao ar limpo assim o pareça e que só em 2008 tenha surgido esta mudança verdadeiramente libertadora em vários sentidos. Estamos perante uma merecida correcção de direitos, uma aliviante abertura na baforada de desrespeito-pela-saúde-alheia, com que até agora a falta de civismo dos fumadores nos presenteou. A bem-vinda nova Lei do Tabaco tornou-se já uma das leis de maior impacto positivo e utilidade prática imediata de todos os tempos!
O alargado contacto dos viciados-em-nicotina com o agora descontaminado ambiente dos espaços públicos irá ajudá-los na desinto-xicação: sem o tabaco no ar, deu-se cabo do diabólico chamariz olfactivo e sem as típicas poses de cigarro-em-riste por essas mesas de café afora, muitos perceberão, embora tardiamente, que estas nunca foram mais que uma exibição pública de ingenuidade e ignorante desleixe.
Durante demasiadas décadas foi com imagens de virilidade e confiança que o marketing das tabaqueiras conseguiu, infelizmente com êxito, enganar o Mundo disfarçando a crua realidade que é a fraqueza de carácter de quem depende do acto de fumar.
Numa reportagem após a passagem-de-ano, uma mulher respondeu achar mal a aplicação da Lei do Tabaco nas discotecas, porque ninguém obrigava os não-fumadores a usufruírem destes espaços… Regredir no que esta Lei já conquistou seria estarmos a semear novos fumadores adolescentes e é por isso que desejo a pior sorte a qualquer petição de alteração iniciada por estabelecimentos nocturnos oportunistas e movida por viciados que ainda sufocam no seu habitual egoísmo!
João Dalion
