A certeza da luz

À Luz da Palavra – 3º Domingo do Tempo Comum – Ano A A liturgia da palavra deste domingo fala-nos do plano de Deus para o mundo e para os homens e mulheres: a implementação do seu “Reino”.

Na primeira leitura, o profeta Isaías anuncia-nos que Deus irá fazer brilhar uma luz por cima do caminho do mar, que porá fim às trevas que inundam todos aqueles que estão prisioneiros da morte, da injustiça, do sofrimento, do desespero. Na verdade, esta profecia encontra o seu sentido pleno em Jesus, pois é Ele que ilumina o mundo com uma aurora de esperança. Ele é a luz que se levantou para vencer as cegueiras que ocultavam a esperança e para inaugurar o novo mundo da justiça, da verdade, da paz, da fraternidade. A luz de Jesus é, hoje, perceptível como uma realidade viva, actuante na história humana? Acolher Jesus é aceitar o plano de Deus, efectivando aqui e agora o seu “Reino”. Como me posiciono diante das situações de desigualdade social, de ocultação e marginalização dos mais fracos, de guerra, de divisão? Sinto-me responsável pela instauração deste “Reino de Deus” no tempo e local em que me é dado existir e actuar?

O evangelho descreve a realização da promessa: Jesus é a luz que começa a brilhar na Galileia e propõe aos homens e mulheres, de toda a terra e de todos os tempos, a Boa Nova da chegada do “Reino”. À chamada de Jesus, respondem logo os primeiros discípulos. Eles serão também os primeiros receptores da sua proposta e as testemunhas encarregadas de levar o “Reino” a toda a terra, isto é, a Boa Nova de que na Pessoa e na Mensagem de Jesus começa a construir-se o “Reino de Deus”. O que é que nas estruturas da nossa sociedade ainda impede a efectivação do “Reino”? O que é que nas minhas opções e comportamentos é obstáculo à instauração deste “Reino”? A história do compromisso de Pedro e André, Tiago e João com Jesus e com o “Reino” é uma história que define os traços essenciais da caminhada de qualquer discípulo. A resposta pronta e decidida destes discípulos de Jesus faz-me pensar, por oposição, na lentidão das nossas respostas a Deus. Porque é que não sou mais pronto e radical na minha entrega a Jesus?

A segunda leitura apresenta-nos as rivalidades dos discípulos de uma comunidade cristã de Corinto, que se esqueceram de Jesus e da sua mensagem. Paulo exorta-os insistentemente a redescobrirem os alicerces da sua fé e das promessas assumidas no seu baptismo. O texto lembra-nos que a experiência cristã é, basicamente, um pessoal encontro com Jesus Cristo, pois é só nele e dele que nos vem a salvação. A vivência da nossa fé não pode, pois, estar dependente do carisma de tal pessoa, ou estar ligada à celebridade deste ou daquele presbítero que preside à nossa comunidade. É a Jesus Cristo que o nosso compromisso baptismal nos liga. Cristo é, de facto, a minha referência fundamental? É à volta dele e da sua mensagem que a minha experiência de fé se constrói?

Leituras do 3º. Domingo do Tempo Comum: Is 8,23b–9,3; Sl 27 (26); 1 Cor 1,10-13.17; Mt 4,12-23

Deolinda Serralheiro