Questões Sociais No dia 19 de Janeiro, a Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) levou a efeito um Seminário sobre «Um Sindicalismo Renovado para Enfrentar a Globalização». A parte da manhã foi dedicada a duas conferências, seguidas de debate: a primeira, do Prof. Mário Murteira (ISCTE – Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa), sobre «Novos Horizontes da Economia Global»; e a segunda, de Ulisses Garrido (CGTP – Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses), sobre «Nova Economia do Trabalho, Novo Sindicalismo». A parte da tarde foi dedicada a um painel em que intervieram (por esta ordem): Prof. Cláudio Teixeira (ISCTE), Drª. Maria Helena André (Confederação Europeia de Sindicatos), Engº. João Proença (Secretário-Geral da UGT – União Geral de Trabalhadores), Doutor M. Carvalho da Silva (Secretário-Geral da CGTP), Profª. Maria da Paz Lima (ISCTE) e Dr. Paulo Pedroso (ISCTE). O elevado número de professores do ISCTE deveu-se, em especial, ao facto de aí decorrer um mestrado sobre «ciências do trabalho». A Profª. Manuela Silva, Presidente da CNJP, abriu e encerrou o Seminário.
A iniciativa e a preparação deste encontro coube ao Grupo de Trabalho Economia e Sociedade, que funciona no âmbito da CNJP. E, no texto do programa figurava, além de outras, a afirmação de que os sindicatos são «um elemento indispensável da vida social» («Compêndio de Doutrina Social da Igreja», nº. 305).
Talvez se possam retirar, do Seminário, cinco ideias-força para o sindicalismo recomendável no futuro: «estar lá» (nos locais onde se encontram os trabalhadores); ser representativo; melhorar a qualificação; negociar sempre; e fazer alianças. «Estar lá», nos locais de trabalho e com os desempregados, em solidariedade permanente na consciência dos problemas e na procura das soluções. Ser representativo, aumentando o número de sócios, desenvolvendo a democracia interna e evitando a orientação cupulista, embora os líderes e quadros sejam indispensáveis. Melhorar a qualificação dos sindicalistas, das suas organizações e dos próprios trabalhadores, não só em termos profissionais mas também em termos éticos e no compromisso solidário. Negociar sempre, com as entidades patronais e com suas organizações e também com outras entidades, públicas ou privadas, para o desenvolvimento da contratação colectiva, para a solução dos diferentes problemas laborais que vão surgindo e para a prevenção e superação de conflitos; a este propósito, considerou-se preocupante a tendência actual desfavorável à contratação colectiva. Fazer alianças, com todas as entidades que possam contribuir para a dignificação do trabalho; alianças, antes de mais, dentro do mundo sindical (na esfera nacional, comunitária e internacional) e também com o Estado e com organizações patronais, sempre que seja aconselhável e se verifiquem as condições necessárias.
Durante o Seminário, não foram debatidos o/s objectivo/s final/is do sindicalismo nem as suas estratégias básicas. No entanto, quase no termo dos trabalhos, surgiu a conhecida tese segundo a qual a luta fundamental do sindicalismo é a do trabalho contra o capital. Dada a importância do assunto, que não pôde ser debatido na altura, ser-lhe-ão dedicados alguns dos próximos artigos.
