Que todos sejam um (III)

Revisitar… o Concílio O “movimento ecuménico” envolve duas práticas essenciais, que poderão abrir caminhos de aproximação das diferentes confissões cristãs: a vivência quotidiana do respeito, reconhecimento e acolhimento dos outros, que deve chegar à oração comum; o diálogo estabelecido entre peritos competentes, na busca dos pontos comuns e no esclarecimento daquilo que pode superar-se como diferença que fira a unidade (Cf. UR 4).

Referenciais explícitos para traçar percursos de unidade serão, sem dúvida: o permanente exame de consciência de todos sobre a fidelidade à vontade de Cristo em relação à Igreja; a colaboração em todas as obrigações que a consciência cristã exige em ordem ao bem comum.

Os católicos, apara além de deverem tomar a iniciativa, orando, dialogando e dando os primeiros passos em direcção aos irmãos, devem “também considerar com sinceridade e atenção o que na família católica deve ser renovado e realizado, para que a sua vida dê um testemunho mais fiel e claro da doutrina e dos ensinamentos transmitidos por Cristo através dos Apóstolos” – UR 4.

Quer isto dizer que o caminho implica conversão de todos, também dos católicos. O estigma de “separados” afecta certamente os que não se identificam com a Igreja católica. Mas pode afectar também, com a presunção de impolutos, os católicos. A humildade de assumir os erros da nossa parte, de confessar a urgência da fidelidade a Jesus Cristo, de buscar o genuíno projecto do Senhor Jesus, são atitudes imprescindíveis a uma convergência ecuménica.

“Guardando a unidade no essencial, que todos mantenham na Igreja – segundo o ministério de cada um – a devida liberdade nas diversas formas de vida espiritual e disciplinar, bem como na diversidade de ritos litúrgicos e até mesmo na elaboração teológica da verdade revelada. Mas que em tudo cultivem a caridade” – UR 4.

E esta não é uma questão pacífica. A fidelidade a Jesus Cristo não impede a actualização – espiritual, disciplinar, litúrgica, teológica -, que torne a Mensagem acessível a todas as pessoas, de todos os tempos e lugares. A confusão da fidelidade com o invólucro cultural ou histórico que serve de mediador tem causado sérios dissabores.

A Caridade, acolhimento e expressão da própria relação de Deus connosco, dará o discernimento para acolher e viver o que é essencial e despirmo-nos do que é o pó da história. O que exige forte coragem, convenhamos. Mas essa é a única via. “Agindo deste modo, mais plenamente manifestarão, dia a dia, a autêntica catolicidade e apostolicidade da Igreja” – UR 4.

O anseio é do Mestre: “Que todos sejam um”… Não frustremos esse legítimo desejo, pelo qual deu generosamente a Sua vida!

Q. S.