D. António Francisco abriu a Quaresma na Sé de Aveiro, impondo as cinzas e apelando a que cada um percorra o “caminho encantador” que é a conversão a Deus, necessariamente ligada ao amor pelo próximo
“Na Quaresma aprende-se que amar a Deus é servir; evangelizar é agir; ser Igreja é intervir”, afirmou D. António Francisco, na Celebração das Cinzas, a que presidiu na Sé, no dia 6 de Fevereiro. Neste primeiro dia da Quaresma, o Bispo de Aveiro deu as boas-vindas aos cristãos que fazem esta caminhada de “40 dias para acolher a morte e ressurreição do Senhor”, à semelhança de Moisés, que passou 40 dias no monte até celebrar com Deus a Aliança, e como Jesus, que se retirou para o deserto durante 40 dias, até dar início ao ministério público.
A Quaresma é um “caminho encantador” de “penitência, conversão e reconciliação”, de “regresso a Deus”, mas é ao mesmo tempo o caminho de Deus em direcção ao ser humano, porque “o Senhor encheu-se de zelo e teve compaixão do povo”, disse, referindo-se às leituras bíblicas do dia. Sendo tempo de mudança, D. António Francisco, apoiando-se em Bento XVI, realçou que “é na conversão interior que se abraça a mudança” e que essa mudança “é uma longa peregrinação ao encontro dos irmãos, para descobrir o rosto de Cristo no rosto de cada irmão”.
Apelando à partilha de bens, na linha da mensagem de Bento XVI, que este ano revaloriza a prática da esmola (ver Correio do Vouga de 6 de Fevereiro de 2008), e do plano pastoral da diocese, que exige atenção aos mais pobres, D. António Francisco anunciou que a partilha quaresmal dos cristãos da Diocese, em 2008, se destina às Florinhas do Vouga (instituição diocesana de solidariedade social, criada por D. João Evangelista de Lima Vidal, sedeada em Aveiro), à diocese brasileira do Brejo, no Maranhão (onde colabora um padre de Aveiro), porque “a generosidade tem de ultrapassar as fronteiras da Diocese”, e à construção da Casa Sacerdotal, que acolherá “sacerdotes e todos aqueles que dedicaram toda a vida à Igreja, sobretudo em momentos de doença”. “A esmola – rematou o Bispo de Aveiro – revela a nossa capacidade de viver a esperança”.
Bento XVI convida à redescoberta da fé…
Bento XVI convidou os católicos de todo o mundo a encararem o tempo litúrgico da Quaresma como “um retiro interior de 40 dias”, no qual são convidados a “redescobrir o dom da fé”.
Falando na audiência geral na Quarta-feira de Cinzas, o Papa frisou que ser cristão “nunca é uma história concluída, mas um caminho que exige continuamente um novo exercitar-se”.
A Quaresma é, por isso, um “caminho de conversão”, um “momento favorável” para “renovar o nosso abandono filial nas mãos de Deus e para pôr em prática o que Jesus continua a repetir-nos, exortando-nos a renegarmo-nos a nós mesmos, tomando a sua cruz para O seguir”.
“É na Cruz de Cristo, no amor que se dá a si mesmo, que renuncia à posse de si mesmo, que se encontra aquela profunda serenidade que é nascente de generosa dedicação aos irmãos, especialmente aos pobres e aos necessitados, e isto dá-nos também a alegria. E assim se avança pelo caminho do amor e da verdadeira felicidade”, precisou.
…e propõe jejum de imagens
e de palavras
No dia seguinte, 7 de Fevereiro, Bento XVI convidou os padres da diocese de Roma, durante o tradicional encontro quaresmal com o clero, a um “jejum de imagens e de palavras”, durante o tempo da Quaresma, defendendo a necessidade de “silêncio” na vida de cada um.
“Temos necessidade de um espaço sem o bombardeamento permanente das imagens, de criar espaços de silêncio, também sem imagens, para abrir novamente o nosso coração à imagem verdadeira e à Palavra verdadeira”, disse. O Papa alertou para a “contaminação e excesso de palavras” a que todos estamos submetidos, em parte por causa dos meios de comunicação.
