O Museu do Vinho da Bairrada, em Anadia, apresenta ao público, até ao dia 9 de Março, as exposições: “Exposição póstuma de pintura – 1939 / 1999”, do mestre Cândido Teles; “Figuras com tinta”, de Rui Manuel Jordão; e “Travo a barro e pedra”, de José Plácido. As duas primeiras exposições são de pintura, e a última, de escultura.
A exposição dedicada a Cândido Teles ocupa duas salas. Pela quantidade, qualidade e representatividade das obras expostas, quase se pode considerar esta exposição como que uma retrospectiva da carreira artística do grande mestre ilhavense.
Na exposição estão representadas as principais fases criativas da longa carreira criativa, de seis décadas, do artista, incluindo obras executadas nas estadias de Cândido Teles por outras terras e culturas. Como curiosidade, nesta exposição estão presentes dois trabalhos emblemáticos: o primeiro quadro que Cândido Teles pintou com o mestre Fausto Sampaio (de Anadia), em 1939, e o quadro que deixou por acabar, em 1999, quando faleceu.
“A obra legada pelo saudoso Mestre Cândido Teles constitui indubitavelmente um dos mais originais trabalhos da representação das belezas paisagísticas, num compêndio de linguagens plásticas de suprema subtileza cromática e pictórica, no resgate das vivências e do sentir das figuras humanas que, nesses espaços do mundo por onde passou, lhe estimularam a criação artística», escreveu o presidente da Câmara Municipal de Anadia, Litério Marques, no catálogo da «Exposição póstuma de pintura – 1939 / 1999”, patente no Museu do Vinho da Bairrada.
O autarca realça que “o trabalho do Mestre Cândido Teles, tem sempre algo a dizer para além do processo de construção formal que desenvolveu entre o realismo e a abstracção, não seguindo a figuração representativa tradicional. Homem de elevada dimensão humana com um elevado poder de observação e de imaginação, sempre procurou de forma instintiva e fluida extravasar os limites da figuração, remetendo-nos muitas vezes para as zonas mais secretas da memória”.
Para além do texto de Litério Marques, o catálogo apresenta também um escrito de Gaspar Albino, artista aveirense que conviveu e foi amigo de Cândido Teles. Há ainda dados biográficos e artísticos do homenageado, tudo isso ilustrado por inúmeras fotos de obras do artista.
José Plácido e Rui Jordão
Castas e vinhos dão o mote às esculturas – corpos femininos – que José Plácido apresenta na exposição “Travo a barro e pedra”, onde utiliza calcário, mármores, rocha vulcânica, arenito, aço inox, concentração ferrosa, folha de ouro e vinho.
As esculturas de José Plácido, motivam-nos “a descobrir elos sensoriais que nos transmitem luz, aromas e quase sabores, numa alusão delicada aos frutos nobres (uvas) que da terra mãe (barro e pedra) despontam e nos legam o precioso néctar seu filho – o vinho”, escreveu o Presidente da Câmara Municipal de Anadia, Litério Marques, no catálogo da exposição. Nesse texto, o autarca revelou ainda que, durante mais de ano e meio, José Plácido “dedicou-se afincadamente a esta exposição, para, em consonância com os diversos espaços físicos do Museu, criar ambiências e dinâmicas de interacção bastante diversificadas, convidando-nos a ir mais além e a sermos muito mais do que meros visitantes que unicamente contemplam”.
No catálogo de “Figuras com tinta”, da autoria do antigo jogador do Sporting, Jordão (Rui Manuel Jordão), Litério Marques realça que a exposição é “um conjunto de pinturas inéditas, onde a cor e os contrastes que dela advêm casam em perfeita sintonia com a fundamental característica do espaço físico das salas de exposição temporária do Museu do Vinho da Bairrada – funde-se harmoniosamente a complexidade cromática e contrastante da cor dos seus trabalhos com a simplicidade da orientação arquitectónica.
