Diálogo de surdos!

As entrevistas televisivas a personalidades ou responsáveis da governação do País deixam cada vez mais baralhados e atónitos os telespectadores, que ainda procuram aí alguns sinais de esperança e orientação para este País que tanto amamos, para se situarem correctamente numa perspectiva de cidadania activa, de participação consciente nos rumos a definir e trilhar.

Os entrevistadores, ciosos da sua experiência e valor profissionais, procuram, a todo o custo, levar os seus entrevistados: para as respostas que eles não querem, para as questões mediáticas e não para os problemas mais urgentes ou relevantes. Os entrevistados persistem em justificar os desvios às respostas, abrindo outros caminhos de discussão, no intuito de salvaguardar as suas ideias ou projectos, na teimosia de venderem uma imagem rosa de governação, que resulte em louros nas campanhas próximas.

E nós?… Ficamos a retorcer-nos n cadeira ou no sofá, consoante as comodidades de cada um. Para admirarmos a destreza dos entrevistadores, que não deixam os entrevistados “vender o seu peixe”; para aplaudirmos s persistência dos entrevistados, que, por entre as confusões de diálogo de surdos, deixam no ar os seus refrães ideológicos…

Merecíamos melhor serviço ao público, sedento e necessitado de informação clara, não só para se não alhear da coisa pública, mas para descobrir a importância de a assumir como tarefa de todos, na diversidade das responsabilidades. Da parte dos jornalistas, a selecção e simplicidade das questões que busque uma consciência do estado da Nação; e a serenidade que permita respostas completas e exaustivas. Da parte dos entrevistados, a coragem e verdade de responder às questões, no intuito de elucidar o público, renunciando ao proselitismo de imporem as suas ideias feitas, as mais das vezes camuflando interesses, pessoais ou de grupos, que minam o bem público.

As áreas que hoje estão em discussão afiguram-se como cruciais, para cimentar a esperança e garantir a segurança e o entusiasmo pelo futuro: a justiça, a educação, a saúde. Será que temos ficado mais esclarecidos e motivados com o que se tem perguntado e o que se tem respondido sobre estes assuntos?… Não basta indicar oásis de boas práticas, franjas de populações contentes. Os efeitos da confusão pública dificilmente deixarão progredir o fermento da renovação. As reformas são necessárias e urgentes! Mas, antes de desalojar, é preciso preparar as novas formas de alojar. Sobretudo, de alojar a esperança!…