Inquietações avulso sem fio que mas conduza

1. Timor. Pude conhecer há alguns dias, por partilha dos mesmos bancos de estudo, um timorense que foi um dos históricos estudantes que, em 1995, entraram embaixada da Nova Zelândia em Jacarta adentro, pedindo asilo político (cf. Artigo 1º da Convenção de Genebra, 1951).

A Nova Zelândia recusou o pedido do grupo, com o argumento de que o seu cumprimento poderia azedar relações diplomáticas entre os dois países. Foi em desespero que ouviram a resposta.

Mas é na esperança que somos salvos! Foram encaminhados pela Cruz Vermelha para Portugal. Este jovem é dedicado nos estudos do Direito. A garra e o olhar sempre atento, o apontamento a tomar-se. Aprende a justiça como um menino e irá praticá-la como um doutor.

Vê-se que é zelo de querer voltar ao seu país e ser um agente de mudança.

Parece pois um dos heróis da independência, pelo menos na atitude e mais talvez do que os actuais heróis: os guerrilheiros ou prisioneiros de outrora e agora nas lideranças do país.

Perderam a heroicidade. Será que esqueceram as causas que os moveram? Usam o país que “criaram” para se governar. Major Alfredo, Xanana, Ramos Horta ou outros, que trocam cargos de Governo entre si…, vivem todos na procura da mesma esfera de conforto.

Das mãos de voluntários em Timor, vi uma vez fotografias da casa do então ministro Ramos Horta. Vi também, na mesma ocasião, algumas fotografias de casas simples e pobres, com as condições de vida do verdadeiro “Povo de Timor”. Acreditem, não encontrei semelhanças!

O major Reinado apenas procurava a sua parte dos proventos da “batalha da independência”, de maneira péssima, sim, mas afinal também ele fora um dos heróis guerrilheiros da independência e queria o mesmo que os outros colegas têm.

Semana passada. Uma entrevista da irmã de Ramos Horta, que dizia, magoada pelo acto condenável perpetrado ao seu irmão: “É assim que pagam a quem lhes dá de comer…”

Primeiro espanto! Como perceber esta mentalidade que se apropria do bem comum de um país, que pertence a todos os cidadãos por direito e não apenas à elite que a administra como um pai-rico-que-dá-comida-ao-filho-na-miséria?

2. A minha mãe Igreja, caminha de novo na Quaresma. Desde Janeiro! Com efeito, a treze desse mês, o nosso Papa Bento XVI recuperou um modo que já não era utilizado desde o Vaticano II.

Celebrou de costas para o povo, na belíssima capela sistina. De costas não! De ‘frente para Deus e em respeito à beleza e harmonia da jóia arquitectónica’ que conjuga o altar móvel com o fresco de Miguel Ângelo, de acordo com o gabinete de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice.

Segundo espanto! Quatro anos no Seminário e nem sabia (não aprendi) que existia um gabinete desses no Vaticano! Mas faz sentido!

Há também algum tempo, a comunidade de S. Pio X escreveu aos padres no sentido de lhes oferecer um CD em que se explicava correctamente o Motu Próprio e como o praticar sem falhar centímetros. Louva-se a iniciativa, na busca da perfeição da celebração da FESTA da Eucaristia!

A minha Igreja caminha na Quaresma, mas, estou certo, a caminho da Páscoa da Ressurreição, porque Cristo não passou inutilmente pela Paixão!

Já só na esperança é que somos salvos… perdão, só na esperança é que fomos salvos!1

1 Spe Salvi facti sumus. Tradução livre do Latim. Nunca fui bom na disciplina, também no Seminário.