Uma sineta para despertar a consciência missionária

Semana Missionária em Oliveira do Bairro “Quando estava no Darfur, eu e as minhas irmãs [de congregação], tínhamos sempre um saco com as coisas essenciais de forma a poder abandonar o país a qualquer momento. A insegurança assim exigia”, relata a Ir. Natália, a uma plateia de meio milhar de pessoas, no Espaço Inovação da zona industrial de Oliveira do Bairro.

Missionária comboniana desde 1970, passou também pelo Uganda, onde enfrentou a realidade das crianças-soldado, dos jovens raptados nas escolas para integrar o exército ou a guerrilha. Também neste país pôs em prática a máxima do fundador da sua congregação, Daniel Comboni: “Salvar África com a África”, neste caso, colaborando na formação de jovens africanas.

A vida da missionária Natália, nas suas próprias palavras, tem sido vivida “com muita incerteza, mas com muito mais esperança”. Por isso, ao terminar o testemunho, agradece a “experiência magnífica” que o Senhor lhe concedeu fazer.

O povo de Oliveira do Bairro respondeu ao convite dos seus párocos e dos missionários e compareceu em grande número ao encerramento da semana missionária vivida no arciprestado entre 18 e 24 de Fevereiro. Pelo palco do Espaço Inovação, passaram grupos de jovens e ranchos folclóricos, canções e testemunhos, mas acima de tudo a convicção de que a Igreja é verdadeiramente universal. A missão “ad gentes” (isto é, aos povos que nunca ouviram falar de Jesus Cristo) não diz apenas respeito aos missionários, mas a todos os cristãos. Como lembrou o P.e José Carlos, missionário do Porto que coordenou a semana com o clero local, “os missionários são apenas a sineta que lembra que todos, pelo baptismo, somos enviados, não como membros de um instituto, mas como Igreja”.

Ao Correio do Vouga, este responsável explicou que, com estas semanas missionárias, o que se pretende, em concreto, é que em cada paróquia surja um grupo missionário que reflicta, reze, crie uma “consciência missionária local”. Ao longo da semana (no ano passado foi em Anadia), cinco equipas de missionários contactaram com a população, estiveram nas catequeses, animaram momentos de oração. Agora, os interessados poderão formar grupos, que continuarão a ter o apoio do IMAG (Institutos Missionários Ad Gentes – organismo que congrega os que se dedicam às missões além-mar), traduzido na ida ao grupo de um ou outro missionário para avivar o espírito.

Cruz peitoral missionária

Em “dois flashes”, D. António Francisco partilhou com assembleia que, quando tinha 9 anos e andava no “4º ano da escola” fez uma redacção em que revelava um segredo; “Queria ser padre missionário”. Percebia que os “missionários olham bem mais alto, voam bem mais longe”. Disse ainda que a sua cruz peitoral é uma réplica da do grande missionário Daniel Comboni. Foi-lhe oferecida pela comunidade de um seminário comboniano.

O Bispo de Aveiro lembrou que o sínodo diocesano destacou a dimensão missionária e concluiu afirmando que “o mundo é a pátria da Igreja e do Evangelho”.

As famílias acolheram bem

Para o P.e António de Almeida Cruz, arcipreste, a semana , preparada há apenas dois meses, relevou-se uma agradável surpresa, não só pela participação nas actividades propostas, mas também pelo acolhimento que as famílias de Oliveira do Bairro, terra tida como “de missão”, deram aos missionários em suas casas.

Por onde os missionários passaram (centro social, misericórdia, catequeses, visitas aos doentes, ou no fórum organizado especificamente na Palhaça), houve bom acolhimento e “muito diálogo”. O pároco de Oliveira do Bairro e de Oiã crê que, com algum acompanhamento dos próprios missionários, a semente agora lançada poderá florir e dar bons frutos.