Sindicatos e patrões ignoram-se ou evitam-se. Patrões e Governo entendem-se. Governo e sindicatos afrontam-se. Tudo isto, no quadro de uma situação social difícil, de desigualdades crescentes e de perda ou estagnação de rendimentos. Acontece que os movimentos sociais podem ser mais devastadores que as velhas lutas de classes. Podem mesmo, a prazo, pôr em causa o papel dos partidos políticos e o funcionamento das instituições.
António Barreto
Público, 16-03-08
A sua intervenção foi muito breve, mas explosiva sob o ponto de vista teológico e social: era preciso mudar de Deus, de religião, de família e sociedade. (…) É paradoxal que se coloque na boca de Jesus: “Ninguém me tira a vida, sou eu que a dou”, como se ele tivesse procurado o sofrimento e a cruz. (..) Jesus detestava o sofrimento e a cruz, mas, para não trair, para não renegar o caminho de libertação, que por amor incondicional escolhera, aceitou todas as consequência que lhe impuseram.
Bento Domingues
Público, 16-03-08
A função da escola não se esgota na transmissão do saber, mas realiza-se no desenvolvimento integral do ser humano, de acordo com os princípios da liberdade e da responsabilidade. É esta a razão principal que anima muitas famílias a não enveredar pelo ensino público.
Gonçalo Portocarrero de Almada
Público, 15-03-08
Antes de proibir os miúdos de usar piercings em zonas sensíveis, talvez fosse melhor fiscalizar quem os faz, sensibilizando pais e jovens para os eventuais perigos. De contrário, o estado passará, nominalmente, a ser dono de parte do corpo dos cidadãos até aos 18 anos.
Nuno Pacheco
Público, 15-03-08
A rua não é um sítio para ter razão. Na rua não valem os argumentos, valem os números, vale a presença física. Na rua, o adversário não se ouve, não existe, não conta: é referido apenas para ser assobiado, insultado, queimado em efígie. Na rua, a multidão torna-se uniforme; não se divide, não discute – não é real.
Rui Ramos
Público, 12-03-08
Houve um tempo em que se descia às ruas para fazer avançar as coisas. (…) Hoje muitas manifestações fazem-se para travar a evolução e deixar tudo na mesma.
Leonel Moura
Jornal de Negócios, 12-03-08
As reformas em Portugal são particularmente difíceis, sobretudo porque sucessivos governos evitaram fazê-las no tempo das vacas gordas e outros se vêm obrigados a tentá-las em épocas de va-cas magras. Gerações de portugueses habituaram-se a viver como se tudo fosse possível e nada fosse exigível. Mudar de hábitos custa, dói, perturba.
José Miguel Júdice
Público, 14-03-08
