Rebuçados para distrair e entreter

Uma pedrada por semana Assim se faz às crianças. Mas o povo não é criança, embora, por vezes, pareça que o é. Pelo menos, fique claro, há muita gente que já não é menino de bibe.

Um euro no Iva, uns tostões na pensão de reforma, uns computadores nos jardins-de-infância, uns polícias à porta da escola, umas promessas avulsas para o futuro do são nunca, um divórcio na hora, uns descontos anunciados a favor de cidadãos com maiores dificuldades que ficam pelo caminho, à custa do défice, um aproveitamento dos bens todos a favor apenas de alguns, tudo rebuçados a crianças, com esperança de virem a ser bem pagos daqui a um ano e picos…

Todos sabemos que o dinheiro não se faz aos montes numa casa, dita da moeda, que não se pode dar muito a quem descontou pouco, que é difícil calar os que mais gritam… Mas todos sabemos, também, que governar é ter políticas de bem comum, é ver ao longe sem fechar os olhos ao que está perto, é alimentar com pão e não distrair com rebuçados.

Mesmo que as crianças os prefiram.

António Marcelino