Ao Deus escondido (IS. 45,15)

Por cima de nós, decerto, algo existe…

Há, mais alto que nós, decerto ALGUÉM

Que eu não sei, não posso definir,

Porque definição Ele não tem.

Definir, por essência, é marcar os limites,

Acção divina; enquanto eu, simples humano,

Que nome poderei dar a um Ser Escondido

Rodeado de nimbos dum arcano?

Ó Tu, Auto-Existente, o mais Além de Tudo:

Único Criador, sem estorvo e sem par,

Que palavras tivera eu para te invocar?

Silêncio…Se muito penso, fico mudo.

Tu és Um Só, és cada um e não és nenhum;

Que outro nome existe que eu Te possa dar?

Deus Infinito? O totalmente Outro?

Perante tal mistério fico a meditar!

Todo o ser que respira Te suplica,

Criador Incriado, o Mais Além de tudo…

Mas a quem te ama, Te deseja, Te quer bem,

És o mais Íntimo, mais amigo, mais Aquém.

Aqui me fico, para quê mais lavor?

Abscôndito Deus…Tu és o Amor.

P.e José F. Fernandes

Mogofores