Bispos lamentam “quebra de confiança” na educação

Conferência Episcopal Portuguesa deixa recados ao Governo e pede recuperação do clima de diálogo

A 168ª Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) encerrou-se no dia 3 de Abril, em Fátima, com um apelo dos Bispos para alunos e professores do nosso país, lamentando a “quebra de confiança” que se verifica entre Governo e professores.

Em conferência de imprensa, D. Carlos Azevedo, Secretário da CEP, frisou que “o grande problema da educação é o Estado”, destacando que “a razão de ser das escolas são os alunos, aqueles de quem nós estamos ao lado, porque os professores são por causa dos alunos; e aos pais pedimos um papel de mais acompanhamento dos filhos”.

A posição dos Bispos, refere o secretário da CEP, fica claramente demarcada no comunicado final, com críticas implícitas “a uma confiança que foi quebrada entre professores e governo”, esperando que a mesma seja recuperada “o mais rapidamente possível”.

No documento, os Bispos dirigem-se directamente aos professo-res, com “uma palavra de estímulo e de confiança”.

“A educação escolar, antropologicamente fundamentada e apostada no desenvolvimento integral da pessoa humana de todos e cada um dos alunos, é uma exigência absoluta para o futuro da sociedade portuguesa”, pode ler-se no documento.

A CEP destaca “o que já se faz bem feito e com bons resultados, tanto em escolas estatais como em escolas particulares”, indicando que a vocações dos professores “deve ser reconhecida e incentivada por toda a sociedade”.

“Só num clima de confiança e de exigência mútuas e de esperança é possível melhorar a educação”, aponta o comunicado.

D. Jorge Ortiga, presidente da CEP, repetiu uma afirmação de D. José Policarpo, frisando que os professores são essenciais para “o futuro do nosso país”.

Retomando outra das ideias manifestadas durante a assembleia, “passámos de uma paixão pela educação a um histerismo”, o Arcebispo de Braga diz que “os fenómenos de violência são factos, mas também um sintoma de que a própria sociedade precisa de se alicerçar em valores”.

Assinalando que a educação “é uma exigência absoluta para o futuro da sociedade portuguesa”, o comunicado da CEP defende um “ambiente de disciplina” entre os alunos, que convida ao “esforço e dedicação ao estudo”.

Falando “num tempo de profundas mutações e incertezas”, os Bispos pedem das novas gerações “sólidos conhecimentos de base”, “espírito crítico e criativo” e “activa participação cívica”.

D. Carlos Azevedo sublinha que esta posição não se deve a qualquer polémica recente, mas procura dar “aos professores, pais, estudantes e movimentos católicos uma palavra de orientação e de confiança, para que sejam agentes de confiança nas suas escolas”. Segundo este responsável, “deve haver uma reflexão mais aprofundada” e “um clima de ponderação” sobre a educação, pedindo que sejam debatidas questões “que dizem respeito a toda a sociedade portuguesa”.

“Na nossa reflexão foi tido em conta como é hoje difícil ser professor”, aponta, lamentando que “muitos desistam de ser professores, dada a dificuldade em ser bom”.

D. Jorge Ortiga referiu que, no caso de ser pedida a mediação da Igreja “se for útil, não deixaremos de prestar esse serviço”, admitindo que não perspectiva esse cenário “na sociedade em que vivemos”.

Por último, ambos pedem um “projecto educativo original e específico” às escolas católicas.

O Comunicado Final da Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa pode ser lido na íntegra em www.agencia.ecclesia.pt, na secção Documentos.

Santuário de Fátima tem novo reitor

O Pe. Virgílio Antunes foi designado pelo Bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, para o cargo de reitor do Santuário de Fátima, após aprovação da Conferência Episcopal Portuguesa, substituindo Mons. Luciano Guerra.

Natural de São Mamede, Batalha, o novo reitor tem 46 anos e foi ordenado padre em 1985. Desde Setembro de 2005 estava ao serviço do Santuário, como capelão director dos serviços de Peregrinos e de Alojamentos.