Empreendimento turístico da Vagueira só avança se for projecto PIN

A Câmara Municipal de Vagos (CNV) e o grupo Martifer querem construir um empreendimento turístico que representa um investimento global de 800 milhões de euros e a criação de 850 postos de trabalho. O projecto Costa do Sal – Golf Resort, numa área de 400 hectares, prevê um hotel de 5 estrelas, dois campos de golfe com 18 buracos, restauração, equipamentos desportivos, marina com 600 lugares de amarração, praia privada e habitações. Metade da área destina-se, aliás, a moradias, prevendo-se que sejam ocupadas em grande parte por estrangeiros.

O empreendimento, se avançar, situar-se-á no lugar da Gafanha da Vagueira (freguesia da Gafanha da Boa Hora), em pinhais que pertencem à Câmara de Vagos e ao Estado (parcela menor) e implicará uma nova ligação à A25 (pelas Gafanhas do Carmo e da Encarnação) e uma nova ponte sobre a Ria, precisamente nos limites entre o concelho de Vagos e o de Ílhavo.

Rui Cruz faz depender o avanço do Costa do Sal – Golf Resort da classificação como projecto PIN por parte do Ministério da Economia. “Se a nossa candidatura não for aprovada, paramos por aqui”, afirmou o presidente da CMV na apresentação do projecto à imprensa.

Carlos Martins, da Martifer, afirmou estar no projecto por convite do autarca (a CMV deterá 49,9 por cento do capital da sociedade a criar, pertencendo o resto a uma empresa do grupo Martifer) e porque é necessário “dar vida à Ria”. “Se nada fizermos, ela morre”, afirmou. O empresário considerou positivo o investimento em golfe para um turismo de elevado valor. “É o topo do turismo. O turista que joga golfe gasta cinco vezes mais”, disse. Contudo, assumiu como “ponto de honra” que o empreendimento “tem que ter sustentabilidade ambiental”. “É fundamental”, acrescentou.

Se o projecto obtiver a classificação PIN, cujo pedido já foi apresentado, deverá avançar ainda este ano e ter a primeira fase concluída em 2012.

J.P.F.

O que é um Projecto PIN?

A classificação PIN (Potencial Interesse Nacional) significa um avanço rápido nos procedimentos administrativos. Trata-se de uma figura criada em 2005 para acelerar os projectos de investimento considerados importantes para o país. Para ser PIN, um projecto deve investir mais de 25 milhões de euros e ter impacto positivo em quatro de sete domínios, entre os quais estão a inovação, a criação e qualificação de emprego, a dinamização económica de regiões menos desenvolvidas, a eficiência energética e o efeito de arrastamento noutras actividades.

A classificação PIN tem de ser tomada em 30 dias úteis após o pedido da entidade promotora. No distrito de Aveiro há apenas três projectos PIN aprovados, todos eles no complexo químico de Estarreja.