Reedição de três obras de João Grave

Na 3ª Semana Cultural de Vagos A reedição de três obras do escritor João Grave será um dos pontos altos da terceira edição da Semana Cultural de Vagos, que irá decorrer, naquela vila, de 26 de Abril a 4 de Maio, numa iniciativa da Câmara Municipal de Vagos.

A exemplo do ocorrido nos dois anos anteriores, o centro de Vagos será o palco de várias actividades culturais e de animação, nomeadamente exposições, artes plásticas, artesanato, ciência, gastronomia e espectáculos musicais, eventos que contam com a participação de entidades sedeadas no concelho.

A Câmara Municipal de Vagos vai reeditar três romances do escritor vaguense João Grave: “Os Famintos” (o seu primeiro romance, editado em 1903, quando o escritor tinha 31 anos de idade),”O Passado” e “O Último Fauno”. Cada um desses romances terá uma reedição de mil exemplares.

João Grave nasceu em Vagos, no dia 11 de Julho de 1872, e faleceu na cidade do Porto, em 1934. Em Vagos, frequentou a escola primária do Padre Joaquim Rocha, passando depois para o Liceu de Aveiro, completando a sua formação académica na Escola Médico Cirúrgica do Porto, onde se licenciou em farmácia, após o que abriu uma farmácia em Calvão. A sua ligação com a imprensa e com o meio literário portuense fê-lo fixar residência no Porto. Nessa cidade, colaborou com vários jornais, nacionais e brasileiros, entre os quais “O Século” e o “Diário de Notícias”, chegando a chefe de redacção do “Diário da Tarde”. Foi director da Biblioteca Municipal do Porto.

Para além dos três romances agora reeditados, João Grave publicou um vasto conjunto de títulos, entre os quais, “A eterna mentira”, “Gente pobre”, “Gleba”, “Os Mutilados” e “Os vivos e os mortos”.

O crítico literário João Gaspar Simões descreveu João Grave como sendo um “escritor honesto, romancista corrente, prosador correcto e poeta harmonioso”.

“A sua ficção, dando continuidade à estética naturalista, de que colhe mais os temas do que a expressão, demasiado esquemática e comprometida com a intenção ética do romancista, aborda problemas sociais como a miséria, o adultério e as condições de vida do proletariado”, pode ler-se no quinto volume da “Literatura Portuguesa no Mundo”, de Célia Vieira e Isabel Rio Novo, da Porto Editora. Esta obra refere que João Grave “sendo um dos exemplos das inconsequências e transformações do naturalismo, a sua ficção acaba por aproximá-lo também de uma tendência neo-romântica e catolicista da novelística das primeiras décadas do século XX”.