“Senti-me bem no meio de vós”

Bispo de Aveiro em visita pastoral a Veiros “Senti-me bem no meio de vós”, afirmou D. António Francisco à comunidade de Veiros. “Senti a dedicação do vosso trabalho”, disse no decorrer da Eucaristia dominical, para, a seguir, invocar alguns momentos da semana anterior. “Com que gosto recordo o jeito peculiar com que as crianças falavam de Jesus na pré-escola, saboreando o que as educadoras e professoras lhes diziam, ou o encontro de sábado com todas as crianças da catequese. Que belas memórias guardarei no meu coração”. Mas o Bispo de Aveiro lembrou igualmente que encontrou famílias em que brotaram “lágrimas de saudade”, ao recordarem “os filhos e netos ausentes na imigração” e que visitou doentes e idosos cansados, embora a comunidade vá ao encontro dos seus doentes, em atitude de “solicitude permanente” e “serviço constante”.

D. António Francisco crismou três dezenas de jovens e alguns adultos e, fazendo eco das leituras da Missa desse dia, convidou-os a serem apóstolos que com determinação anunciam o Evangelho, sem ligarem a ofensas ou recusas.

Na missão que disse ser de “confirmação e renovação da fé”, o Bispo de Aveiro congratulou-se com a “hora de esperança vivida com doçura, delicadeza e respeito por todos” e conta com a comunidade para a “nova evangelização” que vai propor à Diocese.

D. António Francisco prometeu voltar a Veiros no dia 24 de Agosto, dia do padroeiro, São Bartolomeu, e primeiro dia das comemorações do quarto centenário do início da construção da actual igreja matriz (1608-1612).

Agradecimento aos párocos

No encerramento paroquial da visita pastoral (o encerramento inter-arciprestal está marcado para 18 de Maio, na S.ra do Monte, Salreu), com o Bispo de Aveiro e o pároco, P.e Tomás Marques Afonso, esteve o P.e José Henriques da Silva, que nos últimos sete anos assumiu a paroquialidade. D. António Francisco agradeceu-lhe o trabalho realizado e recordou que a gratidão da comunidade de algum modo ficou patente na atribuição do seu nome ao museu de arte sacra constituído nos anexos da igreja matriz.

Do P.e Tomás Marques Afonso, D. António recordou o percurso sacerdotal e dirigiu-lhe um “bem-haja em nome da comunidade paroquial e diocesana”. Ordenado padre em 19 de Julho de 1959, na diocese de Aveiro, Tomás Marques Afonso começou por paroquiar Couto de Esteves e Rocas do Vouga, tornando-se depois capelão-militar, “mas sem nunca deixar o contacto com as paróquias”, como referiu ao Correio do Vouga. Nos últimos anos colaborava na arquidiocese de Évora. Comemora as bodas de ouro sacerdotais no próximo ano.

Bênção da imagem de Santa Luzia

No final de celebração, D. António Francisco benzeu a nova imagem da capela de Santa Luzia. A peça encerra uma história curiosa, como contou à assembleia o P.e José Henriques.

A imagem original, do séc. XVI, foi roubada em 1990. Victor Bandeira, elemento destacado da paróquia de Veiros, resolveu posteriormente pôr na Internet uma foto e a notícia do seu desaparecimento. Ora, em Belém do Pará, Brasil, Júlio de Jesus Monteiro leu a notícia, porque a sua mãe tinha devoção por Santa Luzia, e resolveu oferecer a Veiros uma nova imagem. Reproduzida a partir da imagem que estava na Internet (ver www.santa.no.sapo.pt), a peça ficou mais pequena do que a original e com uma face pouco parecida. Veiros guardou essa imagem, mas resolveu pedir ao mesmo santeiro brasileiro que fizesse uma imagem de Santa Luzia com as características da peça roubada – o que foi feito por 800 euros, um preço muito inferior ao praticado em Portugal. Depois de algumas dificuldades com a travessia do Atlântico, a imagem acabou por chegar a Avanca, por meio de conhecidos do P.e José Henriques, e pode agora ser posta na capela do lugar de Santa Luzia.