À Luz da Palavra – Ascensão do Senhor – Ano A A Liturgia da Ascensão do Senhor, que hoje celebramos, revela-nos com clareza que nos aguarda uma vida definitiva, de comunhão com Deus, depois da caminhada deste mundo, em amor e entrega incondicional aos outros, como fez Jesus. Revela-nos, ainda, que Jesus é, doravante, a autoridade máxima do novo povo, que está a nascer da sua Páscoa.
O evangelho fala-nos do último encontro de Jesus ressuscitado com os seus discípulos, no cimo de um monte da Galileia. Aí, a comunidade dos discípulos, depois de o reconhecer como Senhor e de adorar, recebe a missão de continuar no mundo a sua acção, isto é, a construção do Reino de Deus. Esta missão orienta-se a todo o discípulo e discípula do Senhor, nomeadamente a tarefa de evangelizar, catequizar, levar ao aprofundamento da fé e iniciar na oração, a qual incumbe a todo o cristão e cristã, sem distinção de sexo, ou de condição eclesial. Esta missão pertence-lhes por direito próprio, direito que lhes é conferido por Jesus, que tem todo o poder no céu e na terra. Evidentemente, que esta tarefa é sempre exercida em comunhão com o ministério ordenado, uma vez que é a ele que está confiada a missão de fazer a unidade e de ordenar os carismas do povo de Deus. Sinto o dever de anunciar o evangelho de Jesus? Preocupo-me em conhecer bem os seus ensinamentos, em os aplicar à minha vida e em transmiti-los aos outros?
A primeira leitura repete a mensagem do evangelho. Recorda-nos que Jesus, ao partir, nos deixou o seu Espírito Santo, para nos lembrar tudo quanto Ele disse e fez e, sobretudo, o modo como conviveu com os seus discípulos, distribuindo tarefas e sendo o elo de comunhão entre todos, como quem serve e não como dono, apesar de o Pai lhe ter dado todo o poder. Repensemos o nosso modo de ser e de estar na Igreja, comunidade onde Jesus detém o máximo poder. Costumo colocar-me sob a acção do Espírito Santo, dispondo-me a assumir o mandato de aprender e de ensinar tudo o que Jesus me mandou, e de o fazer em verdadeiro espírito de serviço e em comunhão fraterna? Sou discípulo/a comprometido/a na transformação da sociedade?
A segunda leitura sugere-nos que, apesar de Jesus não poder ser visto senão pelos olhos do nosso coração, Ele continua a ter poder sobre o seu povo e sobre cada discípulo/a. É a Ele que devemos a obediência máxima. É dele que devemos escutar o mandato “ide”. Por isso, tanto os “pastores ordenados” como os “pastores leigos/as”, se devem colocar à escuta do seu Senhor e, em comunhão, discernirem os caminhos mais adequados para a missão, traçarem objectivos, elaborarem projectos e distribuírem tarefas, de acordo com as competências específicas e os carismas próprios. O mandato do Senhor ainda está por cumprir, porque nós retardamos a comunhão, pela dificuldade que temos no agir em comum. Vivo eu em comunhão total com o Senhor e em solidariedade incondicional com os membros do mesmo “corpo”, que é a Igreja? Que faço para construir a comunhão?
Leituras da Ascensão do Senhor: Act 1,1-11; Sl 47 (46); Ef 1,17-23; Mt 28,16-20
Deolinda Serralheiro
