Viver e testemunhar a santidade

Celebra-se no dia 30 de Maio (Solenidade do Sagrado Coração de Jesus) o Dia Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes, que na diocese de Aveiro se assinala com Vésperas Solenes presididas pelo Bispo de Aveiro, no Carmelo de Cristo Redentor, às 16h30. Enquanto presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios, D. António Francisco escreveu uma mensagem que aqui se publica.

No passado dia 27 de Abril, Dia Mundial de Oração pelas Vocações, o Santo Padre Bento XVI, ao ordenar na Basílica de São Pedro, em Roma, 29 novos Presbíteros, convidava-os a semear no mundo a alegria do Evangelho.

É este o sentido da missão da Igreja e do nosso ministério de sacerdotes.

Deus, “o invisível evidente”, como lhe chamou tão expressivamente Victor Hugo, envolve-nos com um amor terno de Pai, chama-nos a oferecer a vida por amor a exemplo de Jesus, o Filho, e revigora em cada momento e circunstância a nossa vida e o nosso ministério sacerdotal com os dons e com a santidade do Seu Espírito.

Para nos ajudar a contemplar este amor divino e para nos incentivar a oferecer cada vez mais a nossa vida por amor, a Congregação para o Clero propõe-nos que valorizemos a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, a celebrar no próximo dia 30 de Maio, como Dia Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes.

O Cardeal Cláudio Hummes, antigo Arcebispo de São Paulo, no Brasil, actual Prefeito da Congregação do Clero, envia a todos os sacerdotes do mundo uma carta-mensagem (…), acompanhando uma proposta de oração e um guião de reflexão com testemunhos de vidas concretas, oferecidas ao serviço da santificação dos sacerdotes.

Ao descobrirmos os exemplos dos santos, com o desejo de os seguirmos, e ao desvendarmos os caminhos de santidade, com a vontade de os percorrermos, também nós nos santificamos.

As exigências da missão e as múltiplas tarefas do ministério impõem-nos mais atenção, espaço e tempo dados à oração.

Só a prioridade dada à oração e a centralidade oferecida à celebração quotidiana da Eucaristia, continuada na adoração Eucarística, nos permitirão viver com generosidade e com alegria uma vida de santidade que é “a medida adequada da nossa vocação” e do nosso ministério de presbíteros.

Todos estamos conscientes de que o Povo de Deus que nos está confiado é o caminho imprescindível para a nossa santidade e de que a este Povo nos devemos dar de coração pleno, dócil, uno e indiviso, certos de que “a medida da dedicação a Deus e ao Povo é sempre a totalidade”.

Permanece a nosso lado e connosco, como fundamento insubstituível de toda a vida sacerdotal, a Mãe de Deus e a nossa Mãe.

A oração comum e universal de uns pelos outros, irmãos no ministério e na missão, e a oração do Povo de Deus por nós tornam-se a escola necessária de novas vocações que só aqui nascem.

Sabemo-nos este barro frágil que Deus vai modelando… Conhecemos a beleza da generosidade de quem começa com alegria… Sentimos o peso dos dias e as agruras do caminho… Vencemos o desalento das longas caminhadas em busca de resultados pastorais distantes… Seduzem-nos os caminhos não andados e os passos a dar na vanguarda da missão… Brilha no nosso olhar o horizonte de um imenso oceano onde o amor de Deus se espelha em cada um dos nossos rostos… Assumimos e acolhemos os conselhos evangélicos com a autenticidade e a beleza de quem se dá a Deus por amor para servir os irmãos com amor pleno e feliz.

Sentimos que este dia é particularmente para nós, para que em todos os dias as pessoas ao aproximarem-se de nós toquem de perto a santidade de Deus e aprendam nesta escola de santidade a semear no mundo a alegria do Evangelho.

A Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios coloca nas vossas mãos, com espontânea alegria e reflectida consciência de serviço às Dioceses de Portugal e aos seus Presbitérios, os textos recebidos de Roma. Eles são uma proposta a lembrar-nos a primazia a dar à oração na vida e na missão da Igreja e na santificação dos sacerdotes.

O serviço aos sacerdotes, desde a primeira hora do chamamento, ao momento da celebração do sacramento da Ordem, aos passos iniciais no ministério, à vida adulta, onde mais se sentem a alegria da fidelidade e a beleza da comunhão fraterna, até à vida com as marcas do peso do tempo e dos rasgos causados pela doença e pelo cansaço, é um dos campos que a Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios quer priorizar espiritual e pastoralmente como uma das suas missões maiores neste tempo.

Precedem-nos no caminho a bênção de Deus e a protecção da Mãe de Jesus e Mãe da Igreja.

+ António Francisco dos Santos

Bispo de Aveiro

Presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios