Uma pedrada por semana Na acção de graças da comunhão, gerou-se na assembleia um grande movimento dos jovens. Subiam, saíam, entravam por diversas portas e, em determinada altura, iam-se dirigindo para o mesmo sítio, para uma cruz de madeira. Aí paravam faziam qualquer coisa que ao longe não se conseguia adivinhar o que era e recebiam, por fim, um lenço de papel. Eu mesmo, que presidia à celebração, interrogava-me sobre o que se estava passando. Quando o rodopio terminou, tive de pedir que alguém explicasse o que se estava a passar, para todos podermos saber e participar também.
O que se passa no seio de uma assembleia eucarística é de todos e não apenas de alguns. E lá veio um jovem a dizer. Espalharam-se por todo o lado, como os lugares da vida, e vieram, por fim, deixar as suas impressões digitais na cruz de Cristo, de Quem esperam força na vida e a Quem querem ser fiéis. Tudo bem.
A simbologia na Igreja, na de sempre e na de agora, hoje tem de se explicar, porque se perdeu a capacidade de a interpretar, à luz da fé, como mensagem para todos. Por isso, há que preparar a assembleia, saber o momento adequado, acertar com o presidente da celebração, não fazer parecer como coisa de fora e só de alguns.
Os jovens têm expressões novas na liturgia, não como representação ou “teatro sagrado”, mas como modos de dizer a sua fé e de expressar os seus compromissos.
Mas tudo no contexto de uma assembleia de irmãos crentes, não como que a dizer “arrumem-se que agora somos nós que dizemos e mandamos”. Trata-se de uma assembleia organizada, com presidente e com regras e toda ela deve ficar enriquecida na sua participação com o que se passa, não como espectadores que até batem palmas…
Integrar os jovens e dar-lhes espaço é importante. Mais ainda quando eles percebem o sentido da assembleia e das coisas que se fazem e que eles próprios fazem.
António Marcelino
