À Luz da Palavra – Solenidade de S. Pedro e S. Paulo A liturgia da Solenidade dos apóstolos S. Pedro e S. Paulo convida-nos a reflectir sobre estas duas figuras fundamentais na Igreja e a apreciar o seu exemplo de fidelidade a Jesus Cristo, até ao ponto de darem o seu sangue por Ele.
O Evangelho convida os discípulos de Jesus, de ontem e de hoje, a confessarem a sua fé nele. Quem é Jesus para nós? Como o vivemos e testemunhamos aos que não acreditam nele? Pedro, tomando a palavra em nome de todos, confessou que Jesus era o Messias, o Filho de Deus vivo. E nós, quem dizemos que é Jesus?” É uma pergunta que deve, frequentemente, ressoar aos nossos ouvidos e ao nosso coração. Para responder a esta questão não servem tanto os conceitos que aprendemos na catequese ou que lemos nos livros de teologia, mas antes perceber o que nos diz o nosso coração. Que lugar ocupa Jesus na minha existência? Para responder a esta questão devo pensar no significado que Cristo tem na minha vida, na atenção que dou às suas inspirações e recomendações, na importância que os valores que Ele propõe assumem nas minhas opções quotidianas, no esforço que faço para caminhar no seu seguimento. Foi da adesão a Cristo que nasceu a Igreja, convocada e organizada à volta de Pedro. É do acolhimento que cada um de nós faz de Jesus que a Igreja cresce e se desenvolve. Que lugar ocupa Jesus na minha experiência de caminhada em Igreja?
A primeira leitura mostra-nos como Pedro foi milagrosamente liberto das cadeias que o detinham na prisão, graças à oração que a comunidade dos fiéis fazia por ele. Nesta acção libertadora de Deus se revela a sua solicitude para com a sua Igreja, representada aqui por Pedro, assim como por todos os discípulos de Jesus. A história de Pedro, que hoje nos é proposta, assegura-nos que, nos momentos de perseguição e de oposição, Deus não nos abandona. Ao contrário, Ele vem sempre ao nosso encontro com a sua presença reconfortante e libertadora, dando-nos a coragem para continuarmos a nossa missão e para darmos testemunho dos valores do Reino. O cristão não tem medo, porque sabe que Deus está com ele e que, por isso, nenhum mal lhe acontecerá. Como reajo eu diante das injustiças e das oposições que me fazem quando actuo na minha qualidade de discípulo/a de Jesus?
A segunda leitura apresenta o “testamento” de Paulo. O Apóstolo recorda a sua resposta generosa ao chamamento que Jesus lhe fez e o seu compromisso total com o Evangelho. Olhando para o seu exemplo, ficamos deslumbrados com o modo como o conhecimento de Cristo foi determinante na sua vida e como ele se identificou totalmente com Ele. Sem nunca hesitar, anunciou o Evangelho cheio de convicção e de entusiasmo e, no meio das mais violentas perseguições e calúnias, nunca se calou, porque a força do anúncio de Cristo o impelia e a palavra do Senhor não podia estar presa. Diante desta figura magna do cristianismo, como reajo eu? Sinto-me audaz, corajoso/a para anunciar o Evangelho de Jesus no ambiente adverso em que vivo?
Solenidade de S. Pedro e S. Paulo: Act 12,1-11; Sl 34 (33); 2 Tm 4, 6-8.17-18; Mt 16, 13-19
Deolinda Serralheiro
