Colaboração dos leitores Quem não se lembra da expressão: a tradição já não é o que era? Pois bem: saiba que, nalguns casos, a tradição pode voltar a ser o que era. Falo da hora do jantar.
O jantar era tradicionalmente o momento de encontro familiar, momento importante ao qual ninguém faltava: pai, mãe, filhos. Hoje em dia nem por isso, mas pode ser interessante saber os benefícios que daí se podem tirar.
Antigamente o jantar era de facto o ponto alto do dia. A família juntava-se à volta da mesa não ape-nas para comer mas para “pôr a conversa em dia”, cada um sabia de cada um, os laços familiares tornavam-se assim estreitos. Actualmente, já não acontece tanto assim. Cada membro da família chega a uma hora diferente, vai ao frigorífico e serve-se do que quer… Passa-se a um estilo de vida mais, desculpem a expressão, tipo “pensão”. Cada um entra e sai quando quer, come ou não come o que quer ou não quer. O tempo é passado no quarto individual e… de família apenas resta o viver na mesma casa.
Estudos recentes revelam que os benefícios do jantar em família são inúmeros! Mesmo que às vezes seja apenas uma confusão: a confusão dos filhos a implicarem uns com os outros, ou a fazerem birras para não comer.
É em família, à mesa, que se aprendem boas maneiras, que se aprende a socializar, saber conversar, ter o interesse de saber como correu o dia a cada um.
Especialmente na adolescência, este tempo de tertúlia familiar torna-se muito importante. Numa universidade da Colômbia tomou-se um grupo de estudantes que usava droga e outro que não para perceber o que estaria por detrás do comportamento de cada grupo, de cada pessoa. E a conclusão foi que os adolescentes mais acompanhados familiarmente, especialmente nessa reunião familiar que deve ser o jantar, estão menos sujeitos a comportamentos destrutivos. Especialmente para as raparigas a diferença ainda é maior.
É ao jantar que há maior propensão para se conversar, claro que com a televisão desligada!, e pais e filhos aproximam-se. Pode então saber-se as raízes tradicionais da família no que diz respeito à religião, hábitos e costumes, tradições genealógicas…
Ainda que não se consiga jantar em família os 7 dias da semana, pelo menos metade ou mais de metade deveriam ser vividos juntos. Os jantares podem ser escola de virtudes e boas maneiras insubstituível e de valor incomensurável.
Rita Parreira
