Iniciámos o Ano Paulino. Um ano de graça, caminhando com São Paulo ao encontro da Palavra, descobrindo por São Paulo as características genuínas da vida eclesial e a missão de cada um de nós na vida deste Corpo.
Acabados de viver um Dia da Igreja Diocesana, merece a pena contemplar as preocupações que, em nome de Deus, o Apóstolo exprime acerca da harmonização das diversidades como fonte de enriquecimento na unidade. Até porque – diga-se em abono da verdade – esse dia não manifestou a variedade desejada, condição para a exigência e experiência de unidade.
“A efervescência carismática em algumas Igrejas daquele tempo é um problema real para esta construção da unidade. Os princípios que o orientam são de uma actualidade flagrante: não há dons do Espírito estritamente para benefício individual, mas são dons para toda a Igreja e só esta é o juiz do seu discernimento” – escrevem os Bispos de Portugal, numa Nota Pastoral específica, reconhecendo que o discernimento da variedade e a construção da unidade são desafios prementes às Igrejas dos nossos dias.
Há movimentos, obras, instituições, que consubstanciam carismas temporários, mesmo localizados, face à realidade cultural, social, face à fisionomia humana a que se leva o Evangelho. Há aqueles que têm maior acuidade em certas circunstâncias. Também os há permanentes, que nunca se esgotam, que nunca estão ultrapassados.
A vitalidade do Corpo, garantida que está a sua animação pelo Espírito, a sua orientação por Jesus Cristo, Cabeça, depende da consciência que cada baptizado assume do seu Baptismo, do reconhecimento que faz dos dons recebidos, da disponibilidade para os viver no serviço da Comunidade, de forma pessoal ou em grupo, face aos contextos históricos que se vivem, do discernimento feito pelos Pastores no seio da Família e da articulação conseguida de todos os membros e junturas.
Só a paixão por Jesus Cristo plasmará apóstolos cientes da sua corresponsabilidade e participação na vida das comunidades. Só o igual ardor pela missão se tornará coesão indestrutível. “A paixão por Jesus Cristo, Paulo transmitiu-a aos outros cristãos, infundindo neles o mesmo ardor pela missão. Esta torna-se, assim, expressão da caridade, na comunhão da Igreja. Paulo percebeu que toda a Igreja é chamada a ser, com os Apóstolos, corresponsável na missão” – prosseguem os nossos Bispos.
Um Dia de Igreja Diocesana haverá de manifestar-se como expressão dessa consciência viva, ocasião de a experienciar, manifestação-testemunho de efectiva e afectiva unidade com o Bispo da Diocese, como o guia que organiza, orienta e estimula a diversidade de dons.
