“Venho cheia (o) de Deus. Gostei muito”

Colaboração dos Leitores Foi a frase dominante, comum a todos, utilizada pelos 44 idosos da Diocese, para expressar o que sentiam por aquilo que observaram, escutaram e vivenciaram, na Peregrinação Inter-Diocesana (Aveiro e Porto) a Fátima, a convite do Movimento da Mensagem de Fátima, nos dias 20 e 21 de Maio. Ninguém conhecia o programa, somente se sabia qual o ponto de partida de cada grupo (Águeda, Aveiro, Borralha, Ílhavo, Travassô e Recardães) e o destino da chegada: Fátima.

Na partida, cada um levava os seus projectos e convicções e alimentava, conforme podia, as suas expectativas e o modo como iria passar estes dois dias. Algumas pessoas chegaram a pensar que estavam numa excursão e que em Fátima seriam “soltas” e cada qual teria que se desenrascar.

À chegada, na recepção e no acolhimento que nos foram prestados, depressa nos apercebemos que os projectos individuais que cada um trazia foram caindo, à medida que nos iam explicando a diferença entre uma excursão e uma peregrinação. Foi definido que uma peregrinação consistia num caminho, feito passo a passo, que alguém faz em direcção a uma coisa ou a uma pessoa. No nosso caso, seria uma caminhada ao encontro de Deus. Depois desta explicação convincente, fomos convidados a ser Peregrinos de Deus, numa atitude de fé ao encontro d’Ele. Houve total aceitação. Porém, as expectativas eram grandes. Ao tomarmos conhecimento do programa, ficámos com a percepção nítida de não constar novidade alguma própria de uma peregrinação: silêncio, reflexão, oração. Contudo, a proposta agradou.

Após o almoço do primeiro dia, foi-nos exibido um pequeno filme narrando os momentos mais significativos e conteúdos das várias Aparições de Nossa Senhora aos pastorinhos de Fátima. A surpresa veio a seguir. Chegou o Sr. Padre Morgado, que, depois de fazer uma breve apresentação do que iria ser o dia, fez uma reflexão sobre as seis Aparições de Nossa Senhora. Algumas superstições, beatices e até pequenas atitudes de religiosidade popular foram desmistificadas, desmoronadas, para, de seguida, serem novamente reconstruídas, na mente de cada pessoa ali presente e atentamente escutante.

Ao explicar os conteúdos das Aparições, ficou claro que, na Mensagem que foi deixada em Fátima, o que Nossa Senhora quer é o extermínio da guerra e que seja irradiado o pecado do mundo. Por outras palavras: que deixemos de praticar o pecado, para que o coração de Jesus deixe de ser ofendido.

Podemos resumir o conteúdo da Mensagem, embora de uma forma simples e redutora, no seguinte: Nossa Senhora apresenta-se aos pastorinhos como a Senhora do Rosário: “Eu sou a Senhora do Rosário”, que significa, a Senhora da oração. Por isso, e pela pedagogia que Ela utilizou com as três crianças videntes, a Igreja reconhece-a como “Mestra de oração”. Em Fátima, pediu que se rezasse o terço todos os dias pela paz do mundo e pela conversão dos pecadores. Insistiu na oração e na penitência, numa atitude de total conversão a Deus. Por conseguinte, tudo em Fátima se resume no seguinte pedido feito por Maria: “Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor…”.

Outro momento comovente foi o da reconciliação. Foi sugerido e dirigido o convite aos peregrinos. Convite que foi aceite. Todos se reconciliaram e valorizaram esse momento solene de encontro individual e pessoal com Deus. Um testemunho: “A partir de hoje, antes de me reconciliar com Deus, vou me sentar ao lado da minha esposa e perguntar-lhe as faltas que ela acha que eu tenho e eu direi as delas, e só depois é que me vou reconciliar. Vou muito feliz”, afirmou este peregrino.

No decorrer do programa, foi-nos proporcionada uma visita guiada à Igreja da Santíssima Trindade, que durou cerca de duas horas. Foi uma autêntica catequese eclesial. É uma obra de arte magnífica ao serviço da fé. A conclusão a que cheguei foi que ninguém deveria visitar esta Igreja sem conhecer o significado das imagens e da construção do próprio edifício. “É uma obra estupenda e um lugar de culto maravilhoso”, dizia alguém do grupo. E é de facto!

No regresso a casa, todos manifestavam exuberante contentamento pelo que viram, ouviram, experimentaram e viveram, mas agora querem/queremos testemunhá-lo porque, “quem vai a Fátima numa atitude de fé, nunca vem igual: acontece sempre uma transformação”, afirmou uma senhora emocionada. Uma outra senhora revelou que vinha decidida, tinha tomado uma decisão para a sua vida junto de Nossa Senhora. “Encontrei um sentido para a minha vida. A Nossa Senhora ajudou-me a encontrar o caminho acertado para a minha vida. Vou muito contente…”, desabafou a senhora.

Diácono José Carlos Costa