Diocese de Aveiro colabora na promoção do turismo cultural e religioso

A Diocese de Aveiro aderiu à cooperativa Turel, que visa promover o turismo religioso. O protocolo de adesão foi assinado na manhã de 16 de Julho, no Paço Episcopal, por D. António Francisco, Bispo de Aveiro, e o cónego José Paulo Abreu, presidente da Turel. No mesmo dia, à tarde, também a Câmara Municipal de Aveiro aderiu a esta cooperativa sedeada em Braga. Os novos cooperantes pagaram uma jóia de inscrição de cerca de cinco mil euros e como contrapartidas passam a estar representados nas assembleias de Turel e deverão receber dividendos da venda de publicações ou de recordações associadas aos locais visitáveis.

O turismo religioso difere das peregrinações e de outros actos motivados pela fé, por ter como base um interesse cultural, embora nem sempre as dimensões cultural e religiosa se separem. Quem peregrina para “pagar” uma promessa, por exemplo, pouco se interessa, provavelmente, pelas questões arquitectónicas do local. Tal como se pode admirar a arquitectura e as obras de arte da nova Igreja de Fátima sem se possuir fé. Mas as duas dimensões também podem andar ligadas.

“Queremos dar uma nova dimensão ao turismo cultural e religioso. Não confundimos quem se desloca por motivos de fé e por motivos de turismo religioso, embora haja quem faça os dois tipos de viagem”, afirma Abílio Vilaça, vice-presidente da Turel.

Cónego José Paulo Abreu acrescenta que a Turel tem uma “componente de evangelização” e realça a formação dos guias: “Já ninguém lê um livro para conhecer a vida de um santo, mas pergunta porque é que ele tem determinado objecto na mão”. É fundamental que os guias saibam dar as explicações correctas, que, obviamente, terão uma perspectiva religiosa.

A Turel dirige-se às pessoas que mais se aproximam do perfil do turista, até porque o segmento do turismo religioso é dos que mais cresce a nível mundial. A taxa de crescimento, desde 1995, é de 6 por cento ao ano. Como em Portugal quase nada está feito nesta área (rotas, folhetos credíveis, formação de guias, estabelecimento de horários e contactos…), a Turel tem um grande campo de trabalho.

Pedro Silva, presidente da Região de Turismo da Rota da Luz, convidado pelo Correio do Vouga a comentar os protocolos, disse desconhecer o conteúdo, mas congratulou-se com a iniciativa. “No turismo há várias escalas e uma delas é a municipal. A adesão à Turel pode trazer frutos muito importantes”, afirmou, sublinhando que é notório o incremento do turismo religioso.

Uma das consequências imediatas da adesão de Aveiro à Turel poderá ser a realização de um congresso de arquitectura religiosa já no início de 2009, como adiantou o vice-presidente da Turel.

J.P.F.

Turel: Promoção do turismo religioso

como objectivo

A Turel|TCR – Desenvolvimento e Promoção do Turismo Cultural e Religioso, CRL, foi criada há quatro anos para aprofundar e divulgar as rotas de turismo religioso. A cooperativa nasceu em Braga, onde o património religioso tem mais peso, na órbita da arquidiocese, sendo presidida por um padre, o cónego José Paulo Leite de Abreu.

A Turel dispõe nesta altura de 41 produtos ligados ao turismo religioso, que vão do meio-dia de duração aos 11 dias, nos distritos mais a norte: Braga, Viana do Castelo, Vila Real, Bragança e Porto.

Entre as principais actividades da Turel estão a formação de agentes, que tanto podem ser guias dos monumentos como sacerdotes ou mesmo os taxistas, a realização de grandes eventos na área (como foi o Congresso Internacional de Turismo Cultural e Religioso, na Póvoa do Varzim), a edição de publicações sobre rotas e monumentos, e a divulgação das rotas – principalmente através das publicações – junto dos operadores, com destaque para as agências de viagens e os hotéis.

Destinos de eleição

O turismo religioso gravita à volta do património edificado ou natural e das manifestações religiosas, principalmente festas e peregrinações. Neste segundo campo, merecem destaque as festas ligadas ao mar (Senhor Jesus dos Navegantes – Ílhavo, Senhora dos Navegantes – Gafanha da Nazaré, São Paio da Torreira…), as de Santa Joana (Aveiro) e a peregrinação a Vagos, na segunda-feira de Pentecostes. Mas não faltam festas de grande tradição e curiosidade, como as das Almas da Areosa (Aguada de Cima) ou as de Urgueira (Macieira da Alcoba), entre outras.

Quanto ao património edificado, para além dos destinos mais óbvios e urbanos (igrejas da Sé de Aveiro, Misericórdia, Convento de Jesus, Vera Cruz e Carmo), Monsenhor João Gaspar, que sobre todos estes locais tem obra escrita (foi informalmente convidado a colaborar com a Turel na elaboração de publicações), salienta dois destinos menos óbvios: a igreja de Oiã, muito rica pelas dezenas de pinturas e pela talha dourada; e a Igreja de Castanheira do Vouga. Esta terra (e a igreja) do concelho de Águeda está ligada à história da literatura portuguesa por nela ter vivido oito anos o escritor (cego) António Feliciano de Castilho (1800-1075), quando o seu irmão Augusto Frederico era pároco. Em Castanheira do Vouga ainda existe a Fonte Castilho.