Procissão grandiosa e marcante

A Eucaristia: dom de Deus para a vida do mundo (3) P.e J.M. MARQUES PEREIRA

Terceiro e último artigo, sobre o Congresso Eucarístico Internacional, que decorreu, no Canadá, de 15 a 22 de Junho de 2008

Já referi a festa de abertura do Congresso. De resto, todo o Congresso foi vivido em clima de festa que se notava por toda a cidade. A cidade estava engalanada e orgulhosa pelos seus quatrocentos anos de vida. Por isso, o Congresso e os congressistas, vindos de todas as partes do mundo, puderam partilhar esta alegria com os residentes e dar também a sua alegria e entusiasmo a um Québec que sente as mesmas dificuldades dos países desenvolvidos em viver e testemunhar a fé.

Um dos aspectos que muito marcou a cidade foi a grandiosa procissão eucarística que atravessou toda a cidade, perfazendo 5,1 km. Toda a imprensa referia este momento como algo grandioso e marcante, como nunca tinha acontecido na história do Québec. Apesar da chuva, que caiu todos os dias, a multidão de pessoas que integrou a procissão eucarística, estimada em vinte e cinco mil, não arredou pé, deixando uma marca impressionante na sociedade quebequense.

Na quarta-feira, todo o Congresso pôde participar na Eucaristia celebrada em rito oriental, ou seja, no rito greco-católico. Foi uma missa demorada, pois quase todo o rito é cantado; mas não deixou de ser encantador. De facto, independentemente dos ritos, que são expressões da fé e da cultura, quem está sempre e unicamente no centro da celebração é Cristo, que se entregou por nós; Ele é verdadeiramente o dom de Deus para a vida do mundo.

Na manhã de quinta-feira, após a catequese habitual, tivemos uma celebração penitencial, onde foi representada, em termos de linguagem e representação modernas, a parábola do Filho Pródigo. Depois, até à hora da celebração eucarística, neste dia celebrou-se da parte da tarde, à qual se seguiria a procissão já referida, houve a possibilidade do sacramento da Reconciliação para quantos o desejaram.

Na sexta-feira, o grupo português teve a possibilidade, no final da tarde, de visitar o santuário de S.ta Ana de Beaupré, declarada a padroeira do Québec. Pudemos sair da cidade e descobrir outros encantos do Canadá e um dos lugares de peregrinação dos povos do Canadá.

As tardes de cada dia eram aproveitadas para diversas actividades: adoração numa das três capelas criadas no recinto, ou participação nas mesas redondas de aprofundamento e partilha, ou noutras actividades que cada um por si procurava, como a de conhecer outras experiências pastorais e outras pessoas dos diversos cantos do mundo. Ou mesmo a de uma visita turística pelo centro histórico da cidade do Québec, declarado património mundial.

A statio orbis

O Congresso terminou com uma grande celebração campal, a statio orbis, isto é, o ponto de concentração do mundo inteiro, numa planura designada localmente como Plan d’Abraham, e onde outrora o Québec, em confronto com as forças inglesas, perdeu a batalha e a possibilidade de uma independência, sendo integrado na colónia inglesa.

O domingo começou radioso de sol, mas a Eucaristia foi celebrada debaixo de chuva que foi aumentando de intensidade até se tornar um verdadeiro caudal celeste. Foi nesta incomodidade, mas apesar de tudo sem arredar pé, que todos os peregrinos do Congresso e uma enorme multidão, vinda das diferentes dioceses do Canadá, pôde ouvir, em directo por satélite, a palavra de Bento XVI, que pronunciou a homilia.

O Papa a todos incentivou a amar profundamente este bem que Cristo entregou à sua Igreja como o mais precioso de todos; aos sacerdotes pediu-lhes o esforço de bem celebrar a Eucaristia para edificação da própria Igreja; aos leigos, que a Eucaristia seja a fonte e cume das suas actividades laicais e possa ela ajudar a despertar novas e muitas vocações sacerdotais. A todos convidou a reler o documento conciliar sobre a Sagrada Liturgia. Finalmente, anunciou a realização do próximo Congresso, em Dublin, na Irlanda, em 2012.