Encontro com outras culturas e vivências de Igreja

Balanço das Jornadas Mundiais da Juventude, em Sydney (12 a 21 de Julho), pelos dois representantes da Diocese de Aveiro

“Ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós.” (Act. 1, 8). Esta é a grande certeza renovada que se traz no coração ao regressar das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), em Sydney, na Austrália. Participar numas JMJ é sempre uma oportunidade única e diferente de alimentar a nossa vida em Jesus Cristo.

Partimos para estas Jornadas integrados num grupo de 56 portugueses, inscritos pelo Departamento Nacional de Pastoral Juvenil (DNPJ). Na 1ª semana vivemos as pré-jornadas na Paróquia de St. Paul, na Diocese de Brisbane, acolhidos em famílias. Uma semana mais tarde, rumámos para Sydney, onde fomos acolhidos pela Paróquia da Sagrada Família, em East Granville, Diocese de Parramata. Aí a estadia já foi na escola católica local. Duas experiências diferentes, bastante gratificantes, mas também algo desgastantes, porque num encontro deste género, os desafios são sempre muitos, as actividades sucedem-se a um ritmo acelerado… Mas vale sempre a pena ir ao encontro de ou-tras culturas e de outras experiências de Igreja!

No regresso, ainda recente, pensamos poder resumir a vivência desta jornada a partir dum conjunto de palavras ou ideias-chave:

Exigência

Ser peregrino não é fácil! Quando se parte para “o outro lado do mundo”, quando se demoram 50 horas a chegar de Aveiro à Paróquia que nos acolheu nas pré-jornadas e outras tantas a regressar, quando a comida nem sempre agrada, quando o corpo se cansa de caminhar… quando assim é, aprendemos o caminho da exigência que nos aproxima do Cristo também Ele peregrino.

Acolhimento

Não ficamos indiferentes quando o director da escola que nos acolheu em Sydney nos disse que na semana anterior um dos seus filhos tinha partido para uma estadia de 1 ano fora do país e ele disse à sua esposa que iria receber os jovens portugueses e austríacos como se fossem os seus novos filhos naquela semana! E assim foi…

Cultura

Umas JMJ são sempre uma oportunidade de conhecer novos locais, novos hábitos, novas gentes, novas culturas. A Austrália é um país verdadeiramente multicultural, e isso esteve bem presente na diversidade das famílias que nos acolheram. Além disso, conhecer uma cidade como Sydney, numa situação tão particular, onde o mais pequeno recanto se encontra cheio de multidões de jovens, é uma oportunidade única.

Unidade/Diversidade

Não é todos os dias que se tem oportunidade de conversar no comboio, ou nas filas da refeição, com jovens do Vietname, da Coreia, de Timor, do Brasil ou das Filipinas e sentir que, apesar da diversidade, estamos unidos pela mesma Fé, pela mesma alegria em Cristo, que nos levou até ali.

Missão

É o grande desafio que fica para cada um no fim desta peregrinação. A Força do Espírito guia-nos para “a construção de um futuro de esperança para toda a humanidade”. O Papa Bento XVI, e os Bispos em todas as catequeses, foram transmissores desta mensagem de esperança e confiança na “nova geração de cristãos”.

Ao terminar as XXIII JMJ o Papa dirigiu-se aos jovens de língua portuguesa: “Queridos amigos em Cristo, sabeis que Jesus não vos quer sozinhos. Sobre vós desceu uma língua de fogo do Pentecostes: é a vossa marca de cristãos. Levai este fogo santo a todos os cantos da terra. Nada nem ninguém o poderá apagar, porque desceu do Céu. Esta é a vossa força, caros jovens amigos, por isso, vivei no espírito e para o espírito!”.

Resta agora levar por diante este desafio, de forma sempre renovada, estar nesta JMJ, representando o país e a diocese de Aveiro traz, com certeza, essa responsabilidade… De certa forma, podemos dizer que o que vimos, ouvimos, experimentámos e vivemos, é agora património da Igreja de Aveiro, também ela convidada a recuperar a certeza de que a força do Espírito é a garantia da construção de um futuro próspero em Cristo!

SDPJV Aveiro

P.e Rui Barnabé e Ondina Matos