Solidariedade genuína

Olho de Lince O tempo de caminhada em peregrinação é, por si só, um tempo de convite à interiorização, por um lado, e, por por outro, de solidariedade entre os caminhantes. Mesmo quando a rebeldia e um certo egoísmo juvenil tentem preservar a própria personalidade, convidando a alhear-se das dificuldades dos outros.

Foi surpreendente. Caminhavam idades dos 13 aos 64 anos. O Caminho de Santiago é deslumbrante de paisagem, convidativo à contemplação, desafio à coragem e persistência… Mas reúne também esse constante apelo a repartir o bordão com o vizinho, partilhar a água ou as bolachas… Mas sobretudo é o desafio à atenção permanente, aos estímulos da palavra de entusiasmo, ao heroísmo do empurrão, para que se não olhe para trás e muito menos se fique na beira do caminho.

E todos foram capazes de fazer o máximo! Ninguém chegaria eufórico pela vitória da caminhada sem a certeza de que os seus companheiros venceriam o trajecto! Foi bonito: mortos de cansaço, mas, felizes pela chegada, todos e cada um se preocuparam até que o último se lhes juntasse!

Aprende-se a rezar com os pés, nesta peregrinação. Mas aprende-se também a solidariedade genuína, que só tem um nome, a caridade cristã.

Força, que para o ano há mais! E o vosso testemunho já convenceu outros, de várias idades!

Q. S.