Tempo de recomeço

O regresso de férias é sempre envolvido em algum desalento, porque se “acabou o que era bom”. Mas daí até se falar de “depressão do regresso” vai um longo percurso, feito de distorções do que seja o trabalho – como se ele fora um castigo a suportar durante um ano -, do que são as próprias férias, vividas muitas vezes como um inútil e cansativo delapidar do tempo…

O regresso é sempre o recomeço com novos entusiasmos, com criativas ideias de mudança, com a perspectiva de que o alívio de uns dias redundará em “garra” diferente, para gerir as dificuldades como para envidar novos rumos, reduplicar a dedicação e o gosto por aquilo que nos realiza pessoalmente e constitui um contributo para o progresso da humanidade.

A proximidade da natureza, a serenidade do convívio com os amigos ou familiares, a companhia de um bom livro, o tempo propício ao recato e à oração, tudo isso integra um ambiente de férias que não vai ao sabor da corrente, mas que tonifica de verdade o espírito e o corpo. O recomeço, nessas circunstâncias, é a continuidade de uma vida agradável e feliz, para os próprios, e fonte de frescura e força de vontade para aqueles que com eles privam.

Também na vida eclesial este tempo soa a recomeço. Paramos sempre algumas iniciativas, durante o Verão, porque o ritmo de vida das pessoas o reclama. Todavia, há aspectos da vida cristã que não podem parar. Antes deveriam encontrar nas férias ocasião de se reforçarem.

Os nutrientes espirituais podem encontrar nesse tempo a melhor ocasião de se reforçarem. Daí que a “reentrada eclesial” há-de surgir como uma continuidade reforçada e renovada.

Saudamos mesmo a perspectiva de ordenar os anos pastorais, na nossa diocese, com base em acontecimentos significativos ou etapas marcantes, que ultrapassem a contagem dos meses e dos dias, que superem os períodos lectivos ou as épocas normais de férias. A vida de fé não pára nunca! Há acções eclesiais que têm épocas privilegiadas, mas a essas sucedem, ininterruptamente, outras ocasiões propícias. A acção da Igreja é contínua, com uma programação que dê lugar à melhor realização da missão, gerindo os recursos humanos e materiais da melhor forma, acolhendo os “kairós” (os tempos oportunos) que o Senhor nos faz perceber, pelo ritmo de vida daqueles a quem somos enviados.

Vamo-nos adaptando aos ritmos novos que a sociedade nos apresenta, perscrutando neles os “sinais dos tempos”, capazes de gerirmos o trabalho e o repouso de modo que nos permitam estarmos sempre “vivos e operantes”, em sintonia e colaboração com todos os cristãos como nós envolvidos na missão, e disponíveis para colaborar com todos os homens de boa vontade na fermentação de uma sociedade fecundada pelos valores do Reino!