Na Galeria Municipal de Águeda, situada no edifício da Câmara Municipal, está patente até 31 de Outubro uma exposição documental alusiva à Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga, podendo ser visitada de segunda-feira a sexta-feira, entre as 9 e as 18 horas.
A exposição apresenta uma amostra do espólio do monumento, assim como documentação fotográfica sobre a sua história, desde as primeiras sondagens e escavações até à actualidade. A exposição visa divulgar essa importante estação arqueológica, considerada das mais relevantes do distrito de Aveiro.
A Estação Arqueológica cobre duas cumeadas aplanadas, de área desigual e a diferentes altitudes, implantadas entre o rio Vouga (a norte) e o rio Marnel (a sul). A sua excelente posição geográfica levou a que, pelo menos desde a Idade do Bronze, aí se tenham estabelecido populações, mantendo o local ocupado até à Idade Média. Será, contudo, durante a Idade do Ferro e a época Romana que mais expressiva se tornou a ocupação do sítio, tanto no cabeço aplanado, designado por Cabeço Redondo, como no que lhe fica fronteiro, a sul, designado por Cabeço da Mina.
Escavações
desde os anos 1940
Nos dois sítios foram levadas a cabo acções arqueológicas, a partir da década de 1940, embora sejam os dados existentes no sítio da Mina aqueles que melhor se tornaram conhecidos, na sequência das escavações de Rocha Madahil, realizadas em 1941.
As escavações efectuadas por Rocha Madahil levaram à classificação daquela estação arqueológica como Imóvel de Interesse Público (decreto nº 36383, de 28/6/1947), devido à monumentalidade das ruínas postas então a descoberto, as quais foram documentadas em planta. Na década de 1960 ocorreram novos trabalhos arqueológicos no Cabeço da Mina, embora sem continuidade e dos quais não se conhecem os resultados obtidos. Só nos finais da década de 1990 é que os trabalhos foram retomados, de uma forma mais sistemática, com vista ao conhecimento do povoamento do sítio em particular e do Cabeço do Vouga em geral, dada a ocupação se estender por ambos os cumes. Tais acções iniciaram-se no ano de 1996, no sítio da Mina, devido à existência de vestígios arqueológicos imponentes a necessitarem de estudo e da implementação de acções de conservação e restauro.
A plataforma inferior do Cabeço do Vouga está à altitude de 63 metros e ocupa uma área de cerca de dois hectares. Nesta plataforma, as escavações realizadas nos últimos anos permitiram um melhor conhecimento do sítio e uma reavaliação dos dados até então conhecidos. Deste modo, confirma-se a existência de duas grandes ocupações no sítio da Mina: uma na Idade do Ferro e outra no Período Romano, a par de vestígios da Idade do Bronze e da Idade Média.
C.F.
