A Igreja, sacramento de Jesus Cristo, tem por missão ser sinal de Salvação, erguido entre as nações. Da Salvação definitiva e dos passos que a vão construindo, entre os quais se conta, sem favor, a recuperação da dignidade humana nas pessoas concretas, como o refere a Exortação Apostólica Christifideles Laici.
Carregando com os pecados e limitações dos humanos que A constituem, a mesma Igreja, sob a moção do Espírito, não tem deixado nunca de dar esses sinais, ao longo da sua história. Com expressões concretas: no campo da saúde, da educação, da sobrevivência alimentar. Muitas vezes para ser espoliada dos recursos com que presta estes serviços. Mas sempre recriando formas para obviar às novas situações que se lhe deparam.
Ainda uma vez, face às consequências da crise, que afectam sempre mais profundamente os deserdados, aí estão a surgir as iniciativas para traduzir o amor a Deus no amor ao próximo – o desempregado, a família sem rendimentos, o idoso esmagado pela escassez de recursos…
A iniciativa da Diocese de Lisboa configura uma sugestão e um desafio, às Comunidades Paroquiais e às Dioceses, para que de novo proclamem silenciosamente a Boa Nova aos pobres com a fantasia da Caridade, porventura com a criação de fundos de solidariedade e o desenvolvimento de programas de iniciativas locais de organização e emprego voltadas para as realidades próximas.
E sobra sempre a reserva da partilha de vizinhança, mais fácil em meios rurais, onde permanece a possibilidade de produzir recursos para obviar a necessidades primárias. Desde o retorno ao cultivo de courelas, em busca de géneros básicos, até à retoma de “talhos domésticos”, preciosos em qualidade e garantia do indispensável.
Não são desprezíveis tantas indicações de economia doméstica vindas a lume nestes tempos de dificuldade. Desde que o nosso espírito se converta à recusa do consumismo e adira à lógica da sobriedade sadia. A criatividade e a austeridade combinam como sinal de tempos novos, que somos convidados a emitir.
