Museu da Cidade expõe “essência colorida do azulejo”

O Museu da Cidade de Aveiro apresenta ao público, até ao final do corrente ano, a exposição intitulada “15 x 15: a essência colorida do azulejo”, mostra em que estão representadas algumas das mais famosas fábricas de azulejos, não só da região de Aveiro, mas também de outras zonas do país.

O relevo desta exposição vai para os azulejos de padrão, normalmente designados por “de revestimento”, Estes azulejos podem considerar-se como o ex-libris das habitações aveirenses (e da sua região alargada), sobretudo das edificadas em finais do século XIX e ao longo da primeira metade da centúria seguinte.

Apesar dos azulejos de cada padrão parecerem todos iguais, principalmente os mais antigos, há pequenas diferenças entre eles, nomeadamente ligeiras variações de tons e, por vezes, “pinceladas” mais visíveis. E isso porque muitos desses azulejos eram pintados individualmente. Para cada cor havia uma espécie de grelha com o desenho relativo a essa tonalidade, pelo que quanto mais cores o azulejo tivesse, mais grelhas necessitava e, por conseguinte, mais tempo demorava a sua pintura, porque cada cor tinha que secar devidamente para poder receber a cor seguinte. Na grande maioria das fachadas antigas, havia dois, três ou até mais padrões diferentes de azulejos, de modo a formar conjuntos decorativos bastante interessantes. Mais raros eram os azulejos de padrão em relevo, também eles com duas ou mais cores.

Para além dos azulejos de revestimento, nesta exposição estão alguns painéis artísticos, decorativos ou publicitários, assinados por nomes relevantes da azulejaria aveirense, entre os quais João Aleluia e Licínio Pinto. Há ainda cercaduras, frisos e outros motivos decorativos.

Na exposição encontram-se azulejos produzidos pelas fábricas “Aleluia”, “Devesas”, “Empresa Olarias Aveirense”,”Fonte Nova”, “João Bernardo Moreira”, “Olave”, “Outeiro”, “Sacavém”, “Santo António”e “Santos Mártires”, entre outras.

Os azulejos mais antigos presentes nesta mostra datam do século XV, e são do tipo “hispano-mourisco”.

A exposição integra ainda uma pequena mostra de materiais (barro, areia, caulino, calcite…) e equipamentos (moldes em gesso, prensas manuais…) usados na produção dos azulejos.

Muitos dos azulejos patentes ao público nesta exposição integram o espólio azulejar da Câmara Municipal de Aveiro e foram recolhidos ao longo dos anos de edifícios, a grande maioria dos quais particulares, que foram demolidos.

Com esta exposição, a autarquia aveirense pretende incentivar os detentores de fachadas azulejadas a conservá-las e protegê-las para que o azulejo permaneça um elemento diferenciador e único da cidade.